Preconceito Linguístico
Enviada em 08/10/2018
“Precisamos ser poliglotas em nossa própria língua.” De acordo com Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras, a sociedade necessita se adequar às variedades que ocorrem dentro do português do Brasil, abandonando a ideia de que apenas a norma culta é válida. Isso se evidencia não só pelo fato da linguagem ser um instrumento de dominação, bem como pela visão negativa da aculturação do modo de falar lusitano.
Em primeira análise, pode-se destacar a utilização da linguagem como forma de subjugar um povo. Um exemplo que pode ser observado são os políticos em época de eleições discursando e aproveitando-se da norma padrão para dificultar a compreensão da população. Nesse contexto, o preconceito linguístico é comumente desenvolvido por quem detém o conhecimento da gramática normativa e sente-se empoderado a partir disso, taxando os demais de menos capacitados e ignorantes. Infelizmente esse ideal se faz presente e muitos esquecem que o importante em uma comunicação é a mensagem e o contexto de cada interlocução.
Outrossim, cabe salientar a resistência de muitos falantes da língua portuguesa em aceitar que ela é fruto de uma fusão de culturas. Quando aqui chegaram, os portugueses impuseram sua língua aos índios, como também aos escravos trazidos dos países africanos. Nesse sentido, através desse contato o português brasileiro se modificou. Embora essa aculturação tenha ocorrido, muitos defendiam que o correto seria a utilização de um português “puro” e formal, postura criticada durante o período modernista da literatura, como por exemplo num poema onde há uma crítica à ênclise pronominal, que não é utilizada na fala brasiliense.
Nessa perspectiva, faz-se necessário a adoção de medidas que visem combater o preconceito linguístico no Brasil. Urge, portanto, que o Estado, a partir do Ministério da Comunicação, promova campanhas nas mídias e na internet, a fim de conscientizar a população de que não há normas certas ou erradas, apenas contextos de utilização da linguagem. Assim, será possível falarmos todos a mesma língua: a do respeito.