Preconceito Linguístico

Enviada em 08/10/2018

Preconceito infundamentado

O preconceito linguístico é caracterizado por haver um julgamento de valor de acordo com o modo como uma pessoa se comunica. Com a chegada dos portugueses no Brasil, no século XVI, é possível observar a imposição da linguagem portuguesa e a desvalorização da linguagem dos povos nativos. Não existe maneira certa ou errada de se expressar, existem diversas variantes que não devem ser hierarquizadas, sendo que o preconceito deve ser combatido e erradicado.

Em seu livro ,“Preconceito linguístico”, Marcos Bagno afirma que o conhecimento da norma padrão da língua é utilizado como instrumento de distinção pela população culta. Fato que pode ser percebido quando o médico Guilherme Capel fez uma postagem nas redes sociais debochando de um paciente que falava de uma forma diferente, que foi erroneamente considerada pelo médico com inferior. Esse fato foi amplamente divulgado e ampliou o debate acerca das diversas formas de comunicação. A língua é considerada viva, estando passível de modificações e de adaptações, apresentando diversas variedades da mesma, sendo elas: variações históricas, sociais, regionais… Portanto, a forma padrão do português é apena uma forma, entre dezenas, de expressão, não podendo ser imposto à população como a mais aceitável.

Além disso, o modernismo foi um movimento literário e artístico que buscava retratar um Brasil mais real e cotidiano em suas obras. Fazendo com que as obras desse período adquirissem um texto mais regional e coloquial, acabando com a necessidade dos livros serem escritos de acordo com as normas gramaticais, as quais somente os mais privilegiados dominavam. O preconceito se faz presente no instante que uma pessoa ridiculariza o modo como a outra pessoa se expressa, causando constrangimento e vergonha na vítima. Na obra “Quarto de despejo” de Carolina Maria de Jesus, é possível aferir que apesar do livro não ser escrito de acordo com a norma culta do português, possui fácil leitura e pode ser comparado aos grandes clássicos brasileiros, por sua história comovente.

Dessa forma, é indispensável que o preconceito linguístico seja combatido, pois ele não é fundamentado, cada pessoa fala de acordo com o modo ao qual se sente mais confortável. É preciso que as escolas capacitem os professores de línguas quanto à melhor forma de abordar o tema de variações linguísticas, não hierarquizando-as, a fim de que o preconceito seja desestruturado da sociedade. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação distribua cartilhas e faça palestras sobre o preconceito linguístico, de modo que fique mais claro para todos que a língua portuguesa apresenta uma pluralidade.