Preconceito Linguístico
Enviada em 07/10/2018
O Brasil é conhecido mundialmente por sua pluralidade cultural e linguística. No entanto, os usuários de dialetos regionais e de gírias sofrem preconceito pela maneira como utilizam essas ferramentas da linguagem. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios sejam descobertos com o objetivo de solucionar essa inercial problemática.
Em primeiro plano nota-se que a desvalorização da diversidade linguística é uma das principais causa do preconceito linguístico. Isso acontece pois, o conteúdo programático escolar, assim como os professores de Português preocupam-se apenas com o ensino da gramática normativa, e excluem a principal base da formação cultural brasileira: a língua falada. Tal comportamento é criticado no poema nomeado “Pronominais” de Oswald de Andrade, uma vez que, o poeta afirma que a negação dos docentes perante a profusão linguística não impedirá os falantes de utilizarem a língua popular no dia a dia.
Além disso, vale-se notar que o conhecimento da norma culta é utilizada como ferramenta de dominação e exclusão social. Para Karl Marx a classe dominante é detentora e manipuladora de todos âmbitos sociais, incluindo à educação. Essa concentração de poder fomenta a segregação social, cuja classe dominante possui o conhecimento da norma culta - vista como correta-, e os demais são taxados como inferiores, posto que desconhecem as regras gramaticais e falam de forma “errada”. Desta forma, o abismo social e a falta de acesso a educação corroboram o preconceito linguístico entre as classes.
Destarte, medidas têm de ser aplicadas afim de apaziguar o problema. Por isso, o MEC - Ministério da Educação - junto às coordenações escolares devem adiciona aulas sobre variedade linguística e sua importância a grade escolar na matéria de Língua Portuguesa, para que os estudantes compreendam a importância de ambas vertentes da língua, a culta e a falada. Apenas dessa maneira a diferença entre as gírias e dialetos das regiões e estados brasileiros será valorizada. A linguagem possui múltiplas representações assim como a arte, e por isso o filósofo Willard van Orman Quine concluiu que " A linguagem é uma arte social".