Preconceito Linguístico

Enviada em 07/10/2018

Em uma conferência proferida em 2004 na Universidade de Berkeley (EUA), o geneticista norte-americano Richard Lewontin apresentou seu estudo que revela a individualidade genômica de cada pessoa, refutando a ideia de raça. De forma análoga, ao analisarmos o espaço geográfico brasileiro é nítido a diversidade cultural existente, expressa em músicas, na literatura e na fala. No entanto, tal diversidade desencadeia o preconceito linguístico praticado por aqueles que ignoram a identidade de seu semelhante, humilhando-o e diminuindo-a.

Mormente, ao observar as frequências alélicas de 17 polimorfismos genéticos disponíveis na época, o geneticista Richard Lewontin calculou a diversidade dentro dos diferentes grupos “raciais”, chegando ao resultado de 85,4% dentro das próprias populações. Em vista disso, ao trazermos seu estudo para o cotidiano brasileiro, o mesmo comprova que a heterogeneidade está presente entre os habitantes, como é o caso do país, que possui a mesma língua oficial mas que se distingue pela não uniformidade na fala.

Ademais, o preconceito linguístico presente na sociedade foi acentuado pelo processo de regionalização, pois, as cinco regiões brasileiras receberam influências distintas: o sul de italianos e alemães; o sudeste de portugueses; o norte por ser afastado distante dos centros, de índios que ali viviam. Dessa maneira, a disposição de habitantes no espaço geográfico proporcionou variantes linguísticos e culturais, tornando cada região única. Outrossim, esse fato pode ser entendido como motivo de orgulho ou como meio para praticar a exclusão social e humilhação de outrem.

Portanto, o preconceito linguístico praticado intencionalmente apenas demonstra a incapacidade do ser humano em aceitar o que é diferente. Sendo assim, o Ministério da Educação deve incluir no currículo escolar matérias que visem o estudo das heranças regionais, com o intuito de reduzir a hierarquização de culturas perante outras. Tal ação proporcionaria o conhecimento das particularidades identitárias de todos, gerando uma maior tolerância por parte dos cidadãos, além de contribuir positivamente para a confirmação do estudo do geneticista Richard Lewontin.