Preconceito Linguístico
Enviada em 18/10/2018
De forma incisiva e frequente, o preconceito linguístico se tornou uma discriminação comum e corriqueira. Nesse ínterim, o contexto de crise axiológica e de ignorância, aliado à ausência de leis que defendam a individualidade da fala de cada brasileiro representam fatores precursores para o agravamento da problemática. Assim, para o filósofo humanista Diderot, " a ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito".
A priori, é inadmissível que, em uma sociedade traçada pela mistura de povos e pluriculturalidade, qualquer tipo de preconceito se faça presente. Nesse contexto, não há “maneira certa ou errada” de falar, haja vista que, a linguagem e a escrita são mutáveis e variam de acordo com aspectos históricos e sociais de cada período, sendo ignorância qualquer tipo de discriminação ao linguajar popular. No entanto, é notório que a oralidade marcada por aspectos linguísticos " não formais" vulnerabiliza os segmentos sociais que não seguem a rigidez formal da língua. Por consequência, de acordo com o G1, cerca de 60% dos brasileiros afirmam ter sofrido qualquer tipo de discriminação em razão da forma de falar.
Outrossim, a inexistência de leis que punam atos de preconceitos linguísticos cria um sistema de impunidade propício para a exclusão social e segregação. Nesse bojo, para o escritor Mariano Fonseca, " a impunidade é também o promotor de crimes". Dessa forma, além de não garantir a individualidade da fala de cada cidadão, o Estado sistematizou um estilo de ensino dogmático e centrado no método da norma culta, ausentando o debate sobre o respeito à fala popular no âmbito escolar. Em decorrência disso, observa-se a extinção dos idiomas indígenas e africanos, fruto de determinações de ensino histórico-culturais desde a missão jesuíta.
Torna-se evidente, portanto, que a língua portuguesa não é uniforme e seus diversos segmentos( gírias, sotaques e particularidades) devem ser reconhecidos e respeitados. Desse modo, o Ministério da Educação, por meio das escolas e em parceria com a mídia, devem colocar na grade curricular e nos livros de ensino a origem e importância da diversidade linguística no país, cabendo aos meios sociais e televisivos ampliar a discussão e o alcance da repercussão, a fim de estimular a autoconsciência dos cidadãos e formação do intelecto das crianças. Ademais, o Poder Legislativo, por meio da Câmara de Deputados, deve se atentar à urgência de coibir ,por meio de lei, qualquer ato discriminatório a cerca do uso informal da língua, punindo de forma incisiva os culpados. Com isso, a longo prazo, a sociedade saberá respeitar a pluriculturalidade e deixar de lado a ignorância que leva à discriminação linguística.