Preconceito Linguístico

Enviada em 08/10/2018

O renomado linguista Marcos Bagno disse, no seu livro sobre o preconceito linguístico, que a gramática normativa está sendo usada para distinguir pessoas de maneira negativa. É possível afirmar  que esse fato permeia o Brasil,não só por causa da sua formação histórica, como também pela ausência da instrução escolar.

Em primeira análise, cabe pontuar que a grande parte da discriminação dialética é causada por imposições linguísticas. De certo, no período colonial, muitos índios foram obrigados a aprenderem a língua portuguesa, pois a cultura eurocêntrica vigorava. Além disso, o nosso país é miscigenado e isso também afeta as expressões. Por exemplo, diversos indivíduos usam palavras inglesas, um vez que eles acreditam que esses termos são superiores e mais interessantes.

Ademais, outro fator que agrava a situação é a falta de orientação acadêmica. De fato, muitas escolas não realizam debates e campanhas que demonstrem as diferenças entre o erro gramatical e a variação linguística. Outrossim, os poemas modernistas - como exemplo o “vício na fala” de Oswald de Andrade - são grandes exemplos de um bom uso da linguagem coloquial e suas variações e, infelizmente, não são usados para instruir os alunos sobre a importância desse assunto. Por conseguinte, pela negligência nesse âmbito, os casos de opressão e exclusão aumentam na sociedade.

É evidente, portanto, que o Brasil precisa combater esse terrível preconceito. É necessário que as escolas mostrem a diversidade linguística e sua importância, por meio de projetos educacionais, para famílias e estudantes, com o intuito de diminuir a exclusão e opressão que a falta de informação causa. Também, é necessário que a Mídia desconstrua a ideia de que o falar estrangeiro é superior, através de propagandas na TV, rádio e redes sociais, com o intuito de valorizar mais o nosso dialeto, cultura e história.