Preconceito Linguístico

Enviada em 07/10/2018

Durante a terceira fase do modernismo, o autor Guimarães Rosa destacou-se com implementação da linguagem regionalista em suas obras e pela criação de novas palavras. Não Obstante, no que tange a realidade da sociedade brasileira, percebe-se que ela diverge da literatura, visto que embora o pluralismo linguístico deva ser assegurado pelo Estado, esse direito encontra-se ameaçado, em virtude da perpetuação do preconceito linguístico nos dias atuais, tornando-se imprescindíveis mudanças para resolver a problemática.

Mormente, é indubitável que o preconceito linguístico ameaça o exercício da cidadania. Consoante a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado assegurar ampla proteção aos patrimônios culturais no país. Destarte, partindo desse pressuposto, nota-se que malgrado terem seus direitos assegurados, a execução da norma é falha, haja vista que a linguagem é um patrimônio cultural imaterial que encontra-se ameaçada pelo preconceito linguístico que está cada vez mais presente na sociedade brasileira, por meio de perseguições e condutas discriminatórias aos oprimidos, impedindo-lhes o exercício da cidadania - fere o direito fundamental ao patrimônio cultural linguístico e, outrossim, coloca em risco um outro princípio fundamental: o direito à vida.

Conquanto, a problemática está distante de chegar a um desdobramento final. Dessarte, ao analisar o preconceito linguístico por um prisma estritamente histórico, percebe-se que Hitler ao aplicar a ideia da existência de uma “raça” superior durante a Segunda Guerra Mundial, influenciaria profundamente à vida de populações de gerações vindouras. Logo, de maneira analógica, conclui-se que na sociedade brasileira, engajados nessa ideologia proposta por Hitler, opressores acreditando que exista uma língua superior, perseguem e oprimem cidadãos que tem uma linguagem que diferem das suas, impedindo, por conseguinte, o pluralismo linguístico, e podendo levar a extinção dessas línguas com o decorrer do tempo.

Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico está relacionado a ideologia de superioridade, sendo função do Estado combater esse problema. Isto posto, cabe ao Ministério da Educação investir em atividades extracurriculares para pais e filhos, por meio de debates trimestralmente, ministrados por professores e especialistas, engajados ao respeito da pluralidade linguística - através de uma abordagem voltada a dignidade da pessoa humana e no tocante às consequências da sua conduta no arranjo social. Assim sendo, a problemática poderá ser resolvida de médio a longo prazo, porém, de maneira eficiente, extinguindo todos os tipos de pensamentos e condutas discriminatórias que vigoram desde outrora, pois como já dizia Immanuel Kant: o ser humano é aquilo que a educação faz dele.