Preconceito Linguístico
Enviada em 15/10/2018
O preconceito linguístico sintetiza uma questão importante e que necessita ser debatida. Nesse viés, destaca-se a polêmica em torno do livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada ” escrito por Carolina Maria de Jesus, catadora de papéis, negra e moradora da favela do Canindé, o qual foi alvo de críticas em virtude de tê-lo escrito em linguagem coloquial, o que conjuga um exemplo da intolerância existente sobre a heterogeneidade do português Brasileiro. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: as variações linguísticas e a inferiorizarão do dialeto português no Brasil.
Assim, no que tange as variações linguísticas, infere-se que há uma discriminação das pessoas que não se comunicam de acordo com a norma padrão, a qual é decorrente de um estereótipo baseado na ideai de que quem não fala ou escreve conforme a gramática da língua pertence a uma classe socioeconômica inferior ou possui menor grau de escolaridade, sendo passível de desprezo. Ao encontro desse pensamento, ressalta-se o livro “Preconceito linguístico” do escritor e doutor em língua portuguesa Marcos Bagno. Segundo o autor, o conhecimento da gramática normativa é utilizado como instrumento de distinção e de dominação pela população culta.
Ademais, outra concepção importante consiste no fato de que a língua portuguesa vem sofrendo um processo de desvalorização em função da influência das línguas estrangeiras. Ao encontro desse pensamento, destaca-se a máxima retirada da crônica “Transbording” de Luiz Fernado veríssimo: “triste o país que tem vergonha de sua língua”. Nela, o autor ironiza o uso de palavras inglesas como forma de ostentação, o que reflete a realidade, uma vez que é frequente o uso, em vitrines de lojas e em nomes de empresas, de léxicos ingleses. Com efeito, é necessário que o português seja mais reconhecido como símbolo identitário por seus falantes, sem idolatrar ou menosprezar as demais línguas.
Destarde, é indubitável que medidas fazem-se necessárias para abrandar essa situação. Para isso, o governo, na figura do Ministério da educação, deve orientar suas instituições de ensino a trabalharem, nas aulas de português, a questão do respeito as variações linguísticas, embasados nos estudos do Dr. Marcos Bagno, conduzindo os alunos à reflexão e à conscientização sobre o tema. Outrossim, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com a Academia Brasileira de Letras, promover campanhas midiáticas que valorizem a língua portuguesa como patrimônio nacional, conduzindo a sociedade a reconhecimento e orgulho de seu idioma. Logo, a partir do conjunto de ideias supracitas, o preconceito linguístico tornar-se-á mais ameno.