Preconceito Linguístico
Enviada em 06/10/2018
Publicada durante o século XIX, a obra ‘‘Antologia Poética’’,de Olavo Bilac, é marcada pela exaltação da linguagem rebuscada como meio de atingir prestígio social.Todavia,apesar de dois séculos,ainda é notório como a sociedade ainda preza pela primazia da gramática normativa,o que fortalece o preconceito linguístico.Assim,haja vista o desrespeito sociocultural,é urgente discutir as causas e efeitos imediatos dessa problemática.
Convém afirmar,a princípio,a visão de Bourdieu sobre o papel das escolas como agentes perpetuadores da desigualdade.De fato,ao estabelecer a ideia de ‘‘superioridade’’ de uma variante sobre as outras, o Ensino provoca a naturalização do preconceito linguístico.Prova disso é a frequente evasão e baixo rendimento escolar dos alunos que,de acordo com o Jornal Carta Capital, não se adequam à norma padrão das classes dominantes e são estigmatizados por suas variantes sociais.
É válido ressaltar,ainda, como o assédio linguístico é um ato violento contra o próprio patrimônio cultural do país. Exemplo disso é a caricaturização midiática a qual as variantes regionais,tão valorizadas por Guimarães Rosa, estão sujeitas. Desse modo, a ridicularização gera danos à identidade dos indivíduos, pois reprime a liberdade de expressão e a riqueza cultural defendida no Manifesto Pau-brasil, de Oswald de Andrade, desde a década de 30.
Faz-se necessário,portanto,que o Governo Estadual ofereça simpósios e eventos ministrados por sociolinguistas e psicopedagogos, na perspectiva de auxiliar o corpo docente do Ensino Fundamental ao Superior, a ensinar respeitando as variantes linguísticas. Em consonância, a ficção engajada deve realizar peças midiáticas educativas, como séries e filmes,no intuito de apresentar as variedades da língua como patrimônio histórico e cultural,no fito de evitar a ridicularização.Assim,o prestígio social será alcançado com o respeito e não pela subjugação das outras modalidades à norma padrão,como ditava Olavo Bilac.