Preconceito Linguístico
Enviada em 19/10/2018
O Brasil é um país de grande extensão territorial e diversidade cultural. Da mesma forma, o território canarinho apresenta uma variedade de falares regionais. Estes, muitas vezes, são alvos de atos hostis por parte da sociedade que titula seu falar superior aos demais. Portanto, o preconceito linguístico é resultado do etnocentrismo, o qual precisa ser subvertido em relativismo cultural quanto à fala.
A obra “ Pronominais’, de Oswald de Andrade – escritor modernista –, retrata o uso da gramática normativa e da linguagem coloquial e ressalta o uso da fala cotidiana como modo de comunicação sem que haja interferência no entendimento. Contudo, como a fala é uma linguagem informal e livre, muitas pessoas não se baseiam em normas gramaticais na hora de falar. Já uma parte da população se intitula como superior, pois estes avaliam os diferentes grupos étnicos de acordo com seus valores e padrões e usam disso para justificar a opressão de comunidades étnicas distintas. Dessa forma, o etnocentrismo fez surgir um sentimento de que determinado dialeto ou expressão é “inferior” e, por isso, tem que ser menosprezada sem antes haver uma tentativa de compreender o que foi dito. Ele surge, justamente, porque essas pessoas colocam a formalidade em detrimento à informalidade comunicacional.
Por outro lado, tem-se o relativismo cultural, que é uma perspectiva antropológica, o qual visa a aceitação, tolerância e o respeito ante à diversidade de culturas que pode ser expressa, também na linguagem. Desse modo, ao se apropriar desse conceito, é possível expandir o conhecimento sobre as demais formas de comunicação existentes nas regiões e sair do senso comum em direção ao senso crítico, fazendo analogia à saída dos homens da caverna do “Mito da Caverna”, de Platão – filósofo da Idade Antiga. Vale ressaltar, também, que o falar regional nordestino é muito discriminado pela população do Sudeste e Sul, pois como essas regiões concentram a produtividade do país e possuem um índice de desenvolvimento maior, as pessoas dessas localidades acreditam que, por conta desses fatores, sua fala é “superior”.
Diante dos fatos supracitados, a intolerância é oriunda da discriminação a outras expressões regionais, a qual precisa ser mudada por um comportamento respeitoso perante as demais línguas. Destarte, o Ministério da Educação deve elaborar um programa, para as escolas e universidades públicas e privadas, sobre a diversidade e a importância dos outros falares – para a valorização da cultura – por meio de aulas, palestras e encenações que visem mostrar como são essas outras linguagens, como se portar diante de pessoas com falares diferentes e respeitá-las a fim de que o etnocentrismo, carregado de preconceito linguístico, possa ser evitado desde a juventude e o relativismo possa ser implantado no dia a dia.