Preconceito Linguístico
Enviada em 06/10/2018
O Modernismo no Brasil foi um grande símbolo para a identidade da língua portuguesa, um vez que, o movimento enaltecia a multiplicidade da língua através da liberdade formal. Nesse sentido, criou-se um levante a favor da diversidade linguística. Nesse contexto, percebe-se que a rejeição a variações e, consequentemente, o preconceito linguístico está enraizado na história do país. Sendo assim, tal realidade perpetua-se tanto por conta do etnocentrismo, quanto pela padronização do ensino. Com efeito, evidencia-se a necessidade de combater tais problemáticas.
Em primeiro plano, vale ressaltar que o Brasil é um país miscigenado, por conta da colonização portuguesa, que, segundo Gilberto Freyre, separou a sociedade em três setores: nativo, colonizador e escravo. Nesse ínterim, o etnocentrismo europeu, conceito que consiste na ideia de superioridade de um povo em detrimento do outro, tomou conta do território brasileiro. Destarte, a hierarquia dominadora do povo europeu sobre escravos e indígenas, estigmatizou o preconceito cultural e linguístico, já que estão intrinsecamente relacionados. Por conseguinte, a intolerância passa a ser relativizada e naturalizada, o que contribui para sua reprodução na sociedade.
Outrossim, a padronização do ensino no Brasil é um agravante significativo para a questão do preconceito linguístico no país, uma vez que, ao estandardizar a educação, as diferenças determinadas pela origem social de cada indivíduo não são levadas em consideração. Dessa maneira, só os valores das classes dominantes são ensinados. Nesse sentido, em relação à língua, apenas a norma culta é aceita, enquanto as variações são entendidas como incorretas, independente do contexto. Desse modo, segundo Pierre Bourdieu, esse modelo pedagógico faz uso da violência simbólica, ou seja, imposição da legitimação de uma única forma de cultura, desconsiderando e inferiorizando a cultura dos segmentos populares.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas com o objetivo de atenuar as problemáticas supracitadas. Para tanto, no que diz respeito ao etnocentrismo, cabe ao Ministério da Cultura, criar projetos que enalteçam as variações linguísticas regionais, através de exposições em museus a fim de evidenciar a versatilidade da língua portuguesa. Dessa forma, o povo aprenderá a reconhecer suas origens e prestigiar seus reflexos existentes até a atualidade, e, com isso, o preconceito será reduzido. Ademais, no que tange à padronização do ensino, é dever do Ministério da Educação pluralizar a didática utilizada nas escolas por meio de debates que discutam e atestem a importância das vertentes da língua para a diversidade do país. Assim, as crianças serão formadas com uma visão mais ampla da cultura nacional. Afinal, é valoroso discernir sobre os males que o preconceito linguístico traz.