Preconceito Linguístico
Enviada em 09/10/2018
O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível a coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações que dificultam a tolerância as variantes regionais, interfere nas relações sociais e do bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, a dominação da língua veiculada pelo governo, além da propagação da discriminação linguística no ambiente escolar. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.
De fato, é indubitável que a questão estatal e sua aplicação contribuam para potencializar o problema. Sob esse prisma, de acordo com Aristóteles o exercício político tem como objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Nesse ínterim, denota-se que o preconceito linguístico resulta-se, mormente, de uma dinâmica segregacionista, na qual a classe dominante define o “certo” e o “errado”, tendo em conta a gramática normativa. Essa situação abjeta relaciona-se a instrumentalização da língua pelos poderes oficiais como um mecanismo de controle social, a exemplo do domínio midiático desde a Era Vargas. Esse impasse intensifica a exclusão comunitária, além de dificultar a interação coletiva, o que que compromete o equilíbrio da premissa aristotélica.
Outrossim, conforme o linguista Marcos Bagno, o conhecimento da norma culta é utilizado como instrumento de distinção pela classe enciclopédica. Segundo esse viés, a existência massiva de escolas com a didática desorganizada está sensivelmente ligada a persistência da discriminação linguística. Nessa perspectiva, infere-se que a transmissão da língua por vários docentes estimula a marginalização social dos indivíduos, haja vista relacionarem o saber da norma culta a alta escolarização e a capacidade de interagir com o próximo. Por certo a tais fatos, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), comprova que 99,3% do preconceito linguístico ocorre no âmbito escolar.
Urge, portanto, que, diante do segregamento vinculado a diversidade linguística, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao Poder Público, em sinergia com o Ministério da Cultura, elaborar propagandas e ficções engajadas, por meio da mídia e das redes sociais, com o intuito de promover a integração das variantes regionais da língua, além de garantir a democratização das relações linguísticas na sociedade. Ademais, compete à escola, juntamente com a família, realizar conferências educativas acerca de tal temática, por intermédio de mesas redondas, com o escopo de estimular a harmonia social entre os indivíduos e o corpo docente, bem como reduzir o preconceito no espaço escolar. Destarte, a coesão proposta por Durkheim será alcançada.