Preconceito Linguístico

Enviada em 05/10/2018

Preconceito linguístico é qualquer forma de julgamento depreciativo contra o modo que alguém fala, principalmente por a fala ter características históricas, culturais e sociais que influenciam na sua estruturação. Hodiernamente, observa-se que, no Brasil, o preconceito linguístico tem se tornado palco de discussões por e refletem um delicado problema quanto a ética e o respeito para com as diferenças. Nessa conjuntura, são perpetuadores dessa problemática o preconceito arraigado na sociedade, bem como a falta de educação linguística.

Preliminarmente, é preciso entender que um dos fortes contribuidores dessa questão é a não aceitação das variantes da língua. Isso transcorre essencialmente por causa do ideal do que seria o português ‘‘correto’’, que segue rigorosamente o padrão da norma culta. Consoante ao linguista Carlos Bagno na sua obra ‘‘Preconceito linguístico: o que é, como se faz’’, o preconceito inerente na sociedade é caracterizado pela negação das variantes da língua portuguesa, pois essa pode variar de acordo com as classes sociais, regiões geográficas e grau de instrução, e ignorar todas essas condições é uma forma de preconceito e exclusão social.

Além disso, outro ponto substancial nessa temática é a falta de educação sobre a língua no território tupiniquim. Sob esse viés, o preconceito ganha caráter excludente contra aqueles que fazem o uso do desvio da norma culta padrão, pois, para muitos brasileiros, não falar o que seria o português correto é sinônimo de ignorância e burrice. Entretanto, segundo o filósofo Michael Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são livres para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos da história. Logo, para transpor as barreiras sociais trazidas pelo preconceito linguístico no Brasil, são necessárias mudanças no corpo social.

Portanto, diligências carecem ser tomadas para a resolução desse quadro. Destarte, o Governo, por meio do Ministério da Educação, deve promover um programa contra o preconceito linguístico em todos os níveis de educação (fundamental, médio e superior) com o objetivo de debater sobre a pluralidade linguística no País e desmistificar o que seria o português correto, para, assim, promover o devido respeito com as diferenças. Para mais, a mídia deve instituir debates e propagandas de cunho educativo, com o propósito de mudar os valores sociais no que tange ao preconceito linguístico. Logo, a pátria possui mecanismos exitosos para a resolução desse quadro.