Preconceito Linguístico
Enviada em 08/10/2018
Segundo o pensamento de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Esse panorama auxilia na análise da pluralidade linguística presente em um território e seus preconceitos decorrente de uma visão etnocêntrica em-buída na percepção individualista ante a diversidade de construções dialéticas.
No decorrer da história, é perceptível a multiplicidade de variantes linguísticas desde os primórdios das civilizações através do antiquíssimo mito da torre de Babel. Nesse contexto, desvalorizar um linguajar em detrimento de outro, é desconsiderar o caráter vivo de uma língua e sua constante possibilidade de mutação.
Nesse ínterim, o linguista Marcos Bagno afirma que não existe forma certa ou errada, o conhecimento da gramática normativa é utilizado, muitas vezes, como instrumento de distinção e de dominação pela população culta. E como resultado disso, é fomentado preconceito em relação as diferentes variantes linguísticas que desviem da variante padrão mediante juízos de valor que consideram o próprio modo de expressão como certo e único a ser adotado por todos.
Infere-se, portanto, que é necessário desconstruir o ideário limitante e singular e substituí-lo pela aceitação da pluralidade por intermédio de promoção de palestras, em diversos âmbitos, acerca do tema. Outrossim, urge que o Estado, através do Ministério da Educação, implemente obrigatoriamente o ensino das variantes linguísticas nas escolas públicas e privadas a fim de mostrar que a norma é importante mas é apenas uma das formas de se expressar. Ademais, a inclusão de diferentes sotaques na mídia, a qual é detentora de influência, com a finalidade de minimizar a intolerância causada pelo estranhamento da mão convivência regular com outras variantes da fala.