Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
Durante a Grécia antiga os sofistas eram grandes professores na arte da oratória e de falar bem, pois acreditava-se que somente quem exercia tal ação era capaz de discursar na Pólis. Conquanto, no Brasil a discriminação e a falta de discernimento de algumas camadas sociais impulsionam os efeitos do preconceito linguístico na sociedade nacional. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
Em primeira análise, cabe pontuar que os atos discriminatórios acerca da identidade linguística não são assegurados em lei. Isso, consoante ao pensamento de Durkheim em que o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, reverbera o julgamento depreciativo e desrespeitoso da fala do outro, que normalmente são características associadas a grupos de menos prestígio na escala do país. Diante disso, evidencia-se historicamente o sentimento de superioridade de conjuntos mais privilegiados economicamente e socialmente, principalmente em relação a comunidades de áreas rurais ou dos interiores.
Ademais, convém frisar que a capacidade de exterioridade, generalidade e coercitividade defendidas por Durkheim ainda distancia-se da realidade brasileira. Comprova-se isso com a forma de cada região ou estado do país manifestar seus diferentes modos de expressar a língua portuguesa, atribuindo-lhes sotaques, além da falta de educação básica de algumas minorias por não terem sido instruídas nos critérios da norma formal e gramatical do português. Dessa forma, vê-se que o menosprezo à língua é um ato contra o indivíduo e afeta consideravelmente sua identidade e maneira de ver o mundo, causando-lhe os mais diversos constrangimentos sociais.
É indubitável, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse no que concerne as implicações da discriminação linguística da sociedade brasileira. Nesse sentido, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, adjunto ao Poder Legislativo fomente a criação de leis que punem os atos de desrespeito da língua, por meio de petições e abaixo assinados e compromisso dos vereadores e prefeitos, com apoio judicial, palestras interculturais a respeito da diversidade do país, atividades socioeducativas, envolvendo artes e cultura das regiões nacionais e auxilio de professores e pedagogos para a educação sobre o assunto. Espera-se com isso, evoluir intelectualmente, assim como na Grécia e respeitar o modo de agir, ser e falar do outro, minimizando gradativamente esse fato no país.