Preconceito Linguístico

Enviada em 05/10/2018

A busca por ser um Fabiano respeitado

No livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Fabiano, protagonista que não possui escolaridade, sente-se insatisfeito por não saber as normas gramaticais e, consequentemente, ser desvalorizado. A isso infere-se que a dicotomia entre “falar certo” ou “errado” gera preconceitos, que se intensificam a depender das regiões.

É importante considerar, inicialmente, que além dos preconceitos em relação à forma de falar, há também aqueles que se dão por questões socioculturais. Devido à concentração de capital na Região Sudeste, desde o período da Era Vargas, as outras áreas são alvos comuns de estereótipos pejorativos, difundidos principalmente pela mídia. Nesse sentido, nota-se que esse recurso informacional é de suma importância para a construção do pensamento coletivo.

Ademais, em virtude da falta de empatia e reflexão, o discurso de ódio assemelha-se à Biologia. Pois, assim como o organismo humano, que ao ser atacado por um vírus produz anticorpos, as pessoas que agem duas vezes antes de pensar, ao entrarem em contato com novas perspectivas de fala, buscam exaltar suas tradições em detrimento das outras. Dessa forma, ao ponderarem fatores subjetivos, o problema do preconceito linguístico se perpetua.

Faz-se necessário, portanto, a efetivação de medidas que combatam esse problema. Logo, parcerias entre o MEC e as mídias, sobretudo as televisivas, que busquem a desconstrução da figura pejorativa de “sujeitos que falam errado”, por meio da inclusão e valorização de diferentes culturas regionais nos papéis principais de filmes e novelas, visam-se efetivas. Assim, a longo prazo, o povo brasileiro conhecerá e respeitará a vida de diversos Fabianos.