Preconceito Linguístico

Enviada em 05/10/2018

O acesso restrito à educação, oriunda da colonização na qual a aprendizagem da escrita era garantida apenas para a elite, culminou na baixa escolaridade da população da época. Embora a sociedade tenha passado por transformações socioeconômicas, manteve-se a restrição do ensino de qualidade, associando as falhas no discurso da fala às classes baixas. Nesse aspecto, cresceu o preconceito linguístico no Brasil, sendo a intolerância à diversidade da língua e a carência de alteridade empecilhos no combate à discriminação, gerando consequência para cidadãos.

Nesse sentido, a falta de tolerância com as variantes linguística influencia diretamente na problemática. De acordo com a Sociolinguística, o Português apresenta diversos registros, nos quais transitam entre a linguagem culta, com a valorização da norma padrão, e a coloquial, em que o entendimento da mensagem é a principal função, não havendo uma sobreposição sobre outra no campo da oralidade. O fato de os indivíduos serem ridicularizados nos perfis das redes sociais, ou até mesmo na própria fala, por não dominarem a norma culta, demonstra o preconceito presente para com aqueles não escolarizados, contrariando a diversidade proposta pela linguística. Assim, percebe-se a valorização no Brasil dos discursos adequados gramaticalmente, marginalizando os indivíduos  que apresentam falhas.

Por conseguinte, a manutenção desse comportamento impacta na vida dos cidadãos com falhas no processo educativo. Por não se adequarem aos padrões do Português com prestígio para a sociedade, terem traços na fala considerados caipiras e nordestinos, muitos brasileiros perdem oportunidades de emprego por considerá-los inferiores. Isso ocorre porque há a falta de alteridade, conceito desenvolvido pela Sociologia, pois, em vez de buscarem formas de se colocar na situação do outro, entendendo as falhas no processo educativo da língua e as diferenças culturais, julgam baseados no preconceito. Dessa forma, evidencia-se a carência do senso coletivo na sociedade, fazendo com que os indivíduos sem acesso à educação da língua culta tenham dificuldades na inserção no mercado de trabalho.

Portanto, a intolerância às variações linguísticas dificulta o combate ao preconceito no país. Por isso, torna-se necessário que as instituições educacionais promovam debates sobre os registros do Português, por meio de palestras com especialistas, como professores de linguísticas, a fim de estimular o respeito à diversidade da língua. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação estimular a tolerância das variantes, por intermédio de propagandas nas redes sociais, como ‘‘Facebook’’ e ‘‘Twitter’’, uma vez que são mídias de grande alcance, com o intuito de combater o preconceito linguístico.