Preconceito Linguístico
Enviada em 05/10/2018
Na obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, as personagens não possuem uma afinidade com a língua portuguesa, isso fica evidente quando o autor narra Fabiano, uma das personagens principais, sendo preso pois não soube se expressar verbalmente para resolver a situação. Atualmente, o preconceito linguístico ainda está presente no Brasil, o que é algo que bloqueia nossa evolução como nação e resulta em inúmeros problemas para o convívio social. Entre esses problemas temos o rebaixamento de pessoas que não se comunicam na norma padrão e a discriminação de sotaques regionais.
Em primeira análise, pessoas que não tem o domínio da língua portuguesa são rotuladas como pessoas medíocres e ignorantes. Tal fato, é facilmente observado quando uma pessoa da periferia, com um linguajar com gírias, vai para o centro das grandes cidades e são vistas com desprezo pelo simples fato de falarem de um modo diferente da referência formal. Isso demonstra que há um grande preconceito linguístico na sociedade, ocasionando a criação de um esteriótipo das pessoas que se comunicam fora da norma padrão.
Em segunda análise, temos a discriminação de sotaques regionais. Esses sotaques são as formas de se expressar verbalmente que diferem de região para região. Isso ocorre intensamente no Brasil, pois é um país de grande extensão e estados distintos, cada um com sua cultura. Por conta disso, quando pessoas se deslocam para lugares com outro linguajar, acabam sofrendo preconceitos e gozações. Isso pode ser visto com as piadas feitas nas redes sociais sobre a atual candidata a presidência, Marina Silva, que possui um sotaque dos habitantes do Acre, e acaba sofrendo ridicularizações por conta disso. Dito isso, fica evidente a intolerância linguística presente no país.
Em suma, o preconceito linguístico é um mal a ser combatido. Esse combate pode ser feito pelo governo, implantando um disque denúncia para atender casos de preconceito linguístico e, com a ajuda da mídia, espalhar o número para a acusação, com o intuito de acabar com os rebaixamentos de pessoas pelo fato de não falarem na norma padrão da língua portuguesa. Somado a isso, o Ministério da Educação poderia implantar aulas de variabilidade linguística nas escolas, com profissionais qualificados e formados em letras, para que as crianças aprendam que nosso país possui muitos sotaques e variações em sua língua, e que nenhuma é mais bonita ou mais correta, para que a discriminação de sotaques regionais diminua em nosso país. Com isso, teremos um lugar onde o Fabiano não sofrerá pelo simples fato de não se expressar pela norma padrão de sua língua.