Preconceito Linguístico

Enviada em 22/10/2018

Na obra “Entre quatro paredes”, do filósofo Jean-Paul Sartre, o protagonista Garcin declara a sentença “o inferno são os outros”. Desse modo, afirma sua insatisfação em conviver socialmente, vista a pluralidade notória de idiossincrasias humanas - sobretudo, o preconceito. Esse sentido de inconformidade pode ser aplicável ao contexto da discriminação linguística no Brasil, já que há um “deboche” de muitos brasileiros em relação à cultura/fala do outro. o qual é prejudicial à valorização da diversidade brasileira, tendo origem em questões históricas e sendo ratificado pela própria sociedade.          Dessa maneira, analisando mais profundamente o contexto brasileiro, percebe-se que o preconceito linguístico, manifesta-se quase indissociável à cultura, pois, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, as estruturas sociais são internalizadas pelos indivíduos. De maneira análoga, a sociedade, xenofóbica e intolerante, utilizam a linguagem verbal como forma de segregação social, diferenciando as condições sociais entre os cidadãos. Exemplo disso é a discriminação direcionada a brasileiros oriundos, principalmente, de regiões do Norte e Nordeste do país, haja vista suas condições sociais e históricas de formação. Logo, o quesito social contribui para a confirmação de tal preconceito.

. Ademais, outro ponto relevante nessa temática é o papel da família. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, o qual afirma que a família é uma maquina que produz personalidades humanas. Sob essa conjuntura, podemos analisar que as raízes implantadas na sociedade dificultam a erradicação dos estereótipos, visto que se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Assim, a continuação do pensamento da inferioridade linguística, transmitido de geração a geração, funciona como base forte dessa forma de preconceito, perpetuando o problema no Brasil.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Faz-se necessário que primordialmente, o Ministério da Educação com parceria dos pais, crie um programa nacional escolar que vise contemplar as diferenças linguísticas, o que deve ocorrer mediante o fornecimento de palestras e peças teatrais. Paralelamente ONGs, devem corroborar com esse processo a partir de atuação em comunidades com o fito de distribuir cartilhas que informem a importância de aceitar e valorizar a cultura do outro, e o papel da família nesse processo, além de sensibilizar a pátria em prol a esse combate.