Preconceito Linguístico
Enviada em 08/10/2018
A pintora modernista Tarsila do Amaral retratou em seu quadro “Operários” a grande diversidade racial das pessoas vindas de todas as partes do Brasil. De fato, somos um povo miscigenado trabalhador e culturalmente eclético, como representado pela pintora. Tomando essa provocação como base para a discussão de como enfrentar o preconceito linguístico, é preciso entender onde estão as raízes desse preconceito, porque ainda existe desrespeito a qualquer variedade linguística diferente da nossa e identificar iniciativas que ajudem a enfrentar esse problema no país.
Em primeiro aspecto, é preciso pontuar que o preconceito pela diversidade dialetal está atrelado a um pensamento histórico de superioridade com traços da colonização européia. Deveras, no século XIX, foi proposto pela elite política brasileira, o branqueamento da população. O Brasil, libertando-se da escravidão, abrigava afrodescendentes, índios e caboclos que foram deslocados dos centros urbanos e não tiveram acesso educação, desenvolvendo seus próprios dialetos e costumes. No contexto atual, as variedades linguísticas que não seguem um estilo padrão da língua, são muitas vezes despesados. Contudo, esse desrespeito a diversidade dialetal, é uma marca de um país que menospreza as minorias e que necessita de políticas educacionais para reconhecer sua riqueza cultural.
Outrossim, a discriminação pela raça, etnia, religião ou procedência regional é crime, tipificado pelo código penal brasileiro. Contudo, o julgamento depreciativo da fala do outro, ainda não é identificado como crime e por isso abre brecha para ações que humilham e menosprezam principalmente grupos de comunidades rurais ou das periferias. A partir dessa perspectiva, consolida-se a percepção do filósofo Michel Foucault sobre a ideia de vigiar e punir. Este, se refere a uma série de saberes, práticas e instituições dispersas, como a escola, que se unem com a lógica de controlar e reprimir, ações de desrespeito e preconceito, rejeitando-as perante a sociedade. Dessa forma, é preciso disseminar, através da educação, que as variedades linguísticas e dialetais não são símbolos de inferioridade e devem ser respeitadas perante a uma lei que protege contra esse tipo de preconceito.
Por fim, a partir da realidade exposta, é fundamental que o Ministério da Cultura, juntamente com o legislativo, estabeleçam como meta a inclusão do preconceito linguístico como crime, uma vez que as diferentes formas de falar, fazem parte da história da cultura brasileira e merecem respeito. Além disso, é preciso que o Ministério da Educação promova ações que incentive o ensino da cultura brasileira nas escolas, como a criação de projetos de leitura de livros de literatura pré moderna, que mostram a língua falada sem gramatica, como forma de valorização. Com essas ações é possível diminuir o preconceito linguístico e promover o reconhecimento das variações dialetais como marca da cultura no país.