Preconceito Linguístico
Enviada em 05/10/2018
A segunda geração do modernismo, com sua preocupação social e maior liberdade formal na escrita, possibilitou à prosa dessa fase o uso de termos coloquiais e regionais, assim, através de uma linguagem acessível os autores puderam relatar fielmente a realidade de diversos locais. É notório que a sociedade atual, ao ligar a língua à sua estrutura e valores morais, tende a negar e segregar as variações linguísticas. Diante dessa perspectiva torna-se imprescindível delimitar as origens do preconceito linguístico e também seus impactos na sociedade brasileira.
O preconceito linguístico no Brasil advém da distinção entre fala e escrita feita de forma equivocada ao provocar oposição, já que as duas deveriam ser estudadas juntas. Sabe-se que as instituições de ensino, ao ensinarem apenas o português ortográfico, acabam perpetuando a existência de certos e errados no uso da língua. De acordo com o linguista Luiz Antônio Marcuschi, a forma de falar é parte inestimável do patrimônio individual, por isso, ao negar as variações da língua, as escolas negam a identidade do aluno.
É necessário salientar que a criação de personagens regionais estereotipados é impulsionadora do problema, visto que muitas vezes são retratados pejorativamente com falas para provocar riso e deboche. Por exemplo Jeca Tatu, personagem criado por Monteiro Lobato, que ajudou a consolidar a imagem do caipira brasileiro ser preguiçoso e ignorante. Portanto, baseado no que se vê na escola e na televisão, muitos indivíduos consideram sua maneira de falar superior à de outros grupos. Infere-se, dessa forma, que o preconceito linguístico atinge grupos considerados de menor prestígio social, já que a língua é utilizada como ferramenta de distinção social. Para que possamos superar as práticas pedagógicas que ridicularizam as formas da fala, é necessário que o Ministério da Educação invista na produção de novos manuais pedagógicos que promovam as variações regionais, etárias, sociais e históricas da língua. E também que o Ministério da Justiça proíba a criação de personagens regionais com comportamento pejorativo. Sendo assim, a nação pode assumir suas variações linguísticas e agregar ao valor cultural da pátria.