Preconceito Linguístico
Enviada em 04/10/2018
O Brasil é conhecido internacionalmente por sua pluralidade étnica e forte empatia. Prova disso foram as inúmeras doações às vítimas do desastre da barragem de Mariana, Minas Gerais, em 2015. Entretanto, um sutil, porém grave, problema que serpenteia a população canarinha contradiz essa nobre fama: o preconceito linguístico. A discriminação entre os falantes age como uma ferramenta de segregação social. Nesse sentido, urge medidas que extirpem esse paradoxo.
Em primeiro lugar, mesmo que existam diversas variantes da língua, uma não deve ser mais valorizada que as outras. Embora todos os brasileiros falem a Língua Portuguesa, os contextos regionais, etários, históricos e sociais influenciam no léxico e fala dos indivíduos. Isso quer dizer que a língua é mutável e a nação é responsável por isso. Dessa forma, deve-se inferir que as regras da gramática servem de base para a continuidade do dialeto e que as variações seguem intrínsecas ao idioma.
Contudo, é evidente que o fato de existir uma gramática normativa faz com que haja o desprestígio das demais. O preconceito linguístico acentua ainda mais a exclusão social do país, devido a língua estar diretamente ligada às estruturas e valores da sociedade, uma vez que os falantes da norma culta apresentam maiores níveis de escolaridade e poder aquisitivo. Assim, aqueles que não se encaixam nesse perfil, são ofendidos e menosprezados. Essa intolerância promove um panorama de baixas no indivíduo, o qual tende a desenvolver dificuldades de sociabilização e, até mesmo, sociopatologias. Além disso, a internet corrobora com a problemática. A aldeia global em que a rede transformou o mundo permite a união de pessoas com interesses comuns, nesse caso, o de disseminação do preconceito. Exemplo disso foi uma foto que o médico paulista, Guilherme Capel, publicou em uma rede social ridicularizando o modo de falar de um paciente que acabara de atender. Isso mostra que o preconceito linguístico precisa ser reconhecido e combatido.
Portanto, para lutar contra esse cenário dicotômico, é preciso que, a curto prazo, a Polícia Federal crie um site de denúncias anônimas, em que a integridade moral da vítima é preservada. Concomitantemente, o Estado elabore um projeto de lei que exija o uso do CPF no cadastro de redes sociais e afins, no intuito de identificar rapidamente os culpados em casos de crimes virtuais. Outrossim, o Ministério da Educação instigue um diálogo mais aprofundado acerca do tema nas escolas, com atividades lúdicas nas aulas de português, sob a supervisão de psicopedagogos, como peças e curtas metragens estrelados pelos próprios alunos, exibidos para a comunidade, a fim de que todos possam desconstruir essa aversão à fala de outrem. Assim, o Brasil poderá, de fato, ser merecedor de sua fama.