Preconceito Linguístico

Enviada em 23/10/2018

Chico Bento, personagem de Maurício de Sousa, é conhecido por “falar mal” o português, sendo essa um representação midiática importante sobre o preconceito linguístico no país. Apesar de possuir função coesiva, o idioma também é utilizado de forma negativa como instrumento de coerção social. Tal quadro é ocasionado pela discriminação com as diversas variantes da linguagem e por causa do domínio da norma padrão exercido por algumas classes sociais.

A priori, a variabilidade de termos devida a diferenças regionais, etárias e étnicas sofre preconceito pelo desrespeito ao padrão da linguagem. De acordo com Marcos Bagno, " O idioma é um enorme iceberg flutuando no mar do tempo, e a gramática normativa é a tentativa de descrever uma parcela mais visível dele". Ou seja, as regras são apenas a base do conhecimento da língua e conferem aos seus usuários as possibilidades de mudança de acordo com as suas realidades. Isto é comprovado, por meio da  dimensão territorial brasileira é superior a 8 milhões de quilômetros quadrados e a colonização no país teve diversas faces, sendo assim, é impossível a existência de uma linearidade no vernáculo da população.

Outrossim, o domínio da linguagem culta é um elemento de segregação social utilizado por alguns brasileiros. De acordo com a história inglesa, durante o domínio da Normandia sobre o Reino Unido a nobreza utilizava o idioma francês como principal forma de comunicação, já que os plebeus falavam inglês, e a corte deveria se diferenciar do resto dos cidadãos. Analogamente, indivíduos com conhecimento amplo do português empregam-o para denigrir outros falantes, usando a língua como fator excludente na sociedade. Por exemplo, o caso que ocorreu em 2016 quando um médico debochou de um paciente via redes sociais, pois na ocasião o indivíduo teria anotado em um papel “peleumonia” e devido a postagem do profissional foi alvo de chacota na internet.

Destarte, infere-se que a intolerância com a modalidade coloquial da língua é incoerente com a realidade brasileira. Logo, o Ministério da Educação, instituição responsável pela formação da ética dos indivíduos, deve incluir na grade escolar uma matéria específica sobre variantes linguísticas, por meio de abordagens em peças teatrais e trabalhos. Dessa forma, o objetivo será cumprido ao demonstrar os diversos dialetos do idioma e ensinar que não existe português correto, assim sendo, a linguagem desempenhará seu propósito principal de aproximar as pessoas no país.