Preconceito Linguístico
Enviada em 08/10/2018
O quadro expressionista “O grito”, de Edvard Munch, retrata um indivíduo em estado de espanto diante de um contexto social. Essa mesma sensação se tem ao avistar o Brasil e o recorrente preconceito linguístico.Hodiernamente, é notório que a mídia acentua essa forma de discriminação e o Poder Público - em conjunto às escolas- falham no ensino da língua portuguesa, usando-a como meio de dominação e exclusão social.
Em primeira análise, sabe-se que a educação brasileira ainda possui ideais preconceituosos que valorizam apenas um modo de falar. Assim como exposto na música “Another brick in the wall”, da banda “Pink Floyd”, a escola ainda tem o professor como autoridade máxima detentora de saber e alunos são reprimidos por seus saberes, no caso da música a repressão ocorre em relação ao saber poético de um aluno. No Brasil hodierno, essa mesma repressão por educadores envolve as diferentes variantes faladas em sala de aula.No século XIX, ainda é valorizado o falar que mais assemelha-se ao modo escrito- a gramática normativa- e fomenta um mito de uma única língua a ser falada. Por conseguinte, há a hierarquização da língua em um país marcado pela vinda de imigrantes e variações devido a seu tamanho continental. Assim, áqueles que não utilizam a língua única sofrem com a exclusão desde o ambiente escolar e são subordinados aos adeptos da língua culta.
No que tange ao poderio midiático, destaca-se a fomentação do preconceito linguístico em telenovelas, que retratam nordestinos com falas lentas e vexatórias, adotando a variante do eixo Rio de Janeiro-São Paulo como superior e correta. Além disso, em desenhos infantis como do Chico Bento, o falar caipira também é ridicularizado. Diante do exposto, torna-se claro que a criação de estereótipos do certo e errado advém o preconceito social aos pobres e marginalizados. Sob esse viés, o preconceito linguístico não vê ridicularização da fala mas do grupo marginalizado, em detrimento a outro tido como mais próspero ao longo da história.
Portanto, para combater o preconceito pelo modo de falar, a ideia de Durkheim- de que a sociedade só funciona em conjunto- deve ocorrer. Para isso, cabe ao Ministério da Educação em parceria com Prefeituras Municipais, a criação de cursos para docentes sobre variantes linguísticas, que retrate a língua dinâmica para ensino aos alunos sobre a diferença linguística existente no país e cultivo do respeito à elas. Ao Poder Legislativo e o Ministério da Cultura, é mister a implementação da Lei de Mídia Democrática a fim de veicular debates, teatros e novelas com diferentes falares de modo respeitoso por personagens em prol da aceitação e conhecimento popular. Assim, caminhar-se-á rumo a um Brasil com diferentes falares e distante daquele preconceituoso, visto pelo indivíduo na obra de Munch.