Preconceito Linguístico

Enviada em 05/10/2018

A nação brasileira resulta do conflito entre vários povos e, hoje, apresenta uma das mais ricas culturas do mundo. Quanto à língua não é diferente, pois as diversas variantes desta formam um patrimônio que reforça a identidade, mas que também reforça as diferencias de forma prejudicial. Esse fato se dá pelo falho ensino da língua portuguesa e pelo uso dela como instrumento de poder.

Em primeiro lugar, é preciso observar que a língua é diversa e não existe uma superior a outra, pois cada variante se enquadra em um ambiente, um tempo e uma circunstância. Entretanto, o ensino da língua portuguesa nas escolas é muito direcionado à variante usada no meio acadêmico, no qual erros gramaticais não são admitidos. Dessa forma, esse português é tido como o único correto e reforça a ideia de superioridade de quem faz uso dele, uma vez que as outras formas são negligenciadas, gerando maior distanciamento entre as pessoas e um preconceito linguístico mais enraizado que os princípios, o que, segundo Maquiavel, é um sério problema.

Como consequência disso, surge a relação de poder e língua, muito comum atualmente. A partir disso, infere-se que da mesma forma que Marx afirma que os proprietários dos meios de produção se utilizam deles para dominar o proletariado, as pessoas que, hoje, têm melhor educação se utilizam também da língua para dominar os indivíduos que tiveram menor ou precário acesso à educação de qualidade. Assim, vê-se um importante patrimônio identitário sendo usado para inferiorizar muitos, quando deveria ser utilizado, na verdade, para reforçar a identidade brasileira.

É imprescindível, portanto, que o Ministério da Educação fiscalize as aulas de português por meio da transmissão ao vivo das aulas para uma bancada avaliadora que atribua nota aos professores e indiquem à escola o que precisa ser feito para melhoria das aulas de cada professor. Além disso, o Poder Legislativo deve criar leis para punir os praticantes do preconceito linguístico. Tudo isso com o objetivo de manter a língua como um patrimônio que une, e não que separa, e que as pessoas não mais sejam discriminadas pelo modo que falam.