Preconceito Linguístico
Enviada em 04/10/2018
A Constituição Brasileira sancionada em 1988 garante em seu artigo 5 que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, passados 30 anos da promulgação desse importante compromisso nacional, a sociedade brasileira ainda vivencia a persistência do preconceito linguístico na vida dos cidadãos. Logo, Poder Público e Coletividade devem se unir e enfrentar essa questão.
Deve-se pontuar de início que o preconceito linguístico é uma tentativa de dominação cultural bastante praticada sobretudo contra as minorias vulneráveis historicamente. Um bom exemplo disso é a falsa crença de que os falantes da região Sul/ Sudeste do Brasil possuem maior domínio da normal culta do que aqueles de regiões Norte/ Nordeste. Essa aversão ao ao sotaque, como nesse caso, pode desencadear ataques causado por grupos como os Skinheads que chegam a agredir violentamente os nordestinos que residem ou apenas estão a passeio nessas regiões consideradas superiores. Infelizmente esse cenário caótico precisa de uma reeducação baseada nos princípios de respeito à diversidade da formas culturais existentes no país.
É prioridade debater também que a exclusão social gerada pelo preconceito linguístico prejudica a continuidade presença de alunos nas Escolas. Segundo uma pesquisa divulgada pelo site Brasil Escola, quase 7 em cada 10 alunos são prejudicados pelo medo de se expressar diante dos colegas. Nesse contexto, é prioridade do brasileiro a compreensão de que a língua portuguesa falada no Brasil não possui uma unidade, e que é bastante flexível. Assim, é papel da Escola valorizar as diferentes culturas, heranças e composições adquiridas no léxico dos falantes brasileiros, buscando conter os avanços desse mal do século que pode ser combatido com muita informação através da educação.
Desse modo, para combater esse problema é necessário criminalizar o preconceito linguístico mediante criação de uma Lei através do Poder Legislativo que permita o cumprimento de penas alternativas ou a prisão dos agressores. Em paralelo, é dever da Escola com seu poder abarcativo e socializante abordar essa temática nas aulas da disciplina “Língua Portuguesa”, através de debates destacando a importância desse patrimônio cultural. Alinhado a essa conduta deve-se distribuir cartilhas elaboradas pelo Ministério da Cultura que explicitem que essa prática de discriminação tornou-se crime, reforçando também a importância da desconstrução de discursos intolerantes para construção de um Brasil em harmonia. Somado tudo isso o Brasil caminhará em passos firmes, em consonância ao acordo da atual Carta Magna.