Preconceito Linguístico

Enviada em 09/10/2018

Com a chegada dos portugueses no Brasil, foi possível transformar o cotidiano indígena em um cenário onde a diversidade étnica era evidenciada, permitindo o conhecimento linguístico. Entretanto, as formas verbais em constante expansão pelo território contribuíram com as modificações da norma culta e a segregação de determinadas variantes da língua, acarretando na discriminação. Dessa forma, pode-se ratificar que o preconceito linguístico faz-se presente no país, devido não somente à polarizarão das classes sociais, mas também ao tratamento desigual entre as regiões da nação.

Primeiramente, deve-se salientar que o indivíduo possui direito de manter-se incluído na sociedade. Segundo o sociólogo brasileiro Caio Braga, qualquer forma de exclusão de um grupo é considerado um ato discriminatório. Nesse ínterim, sua afirmação expressa a necessidade de atenção igualitária aos canais de comunicação pertencentes aos grupos sociais distintos, posto que a fala possui variantes que mutuam-se em relação ao nível de escolaridade ou econômico, o que permite a exaltação de classes qualificadas como possuidoras de maior conhecimento e a desvalorização da camada popular. Portanto, caso a polarização de permaneça na sociedade, o preconceito linguístico irá desenvolver.

Além disso, é preciso inferir que o Brasil detém grande espaço territorial divido em regiões e em suas características. Todavia, os aspectos culturais e de desenvolvimento são responsáveis pela criação da hierarquização entre os estados, algo influenciado ainda mais pelo âmbito linguístico de cada um. Sob essa ótica, uma pesquisa realizada pela Academia Brasileira de Letras categorizou todos os sotaques brasileiros como corretos, não havendo distorção da norma culta padrão, mas sim variação da língua. Com isso, é inevitável  a aceitação do modo de comunicação de cada local do país e caso não haja a valorização majoritária das regiões brasileiras, a discriminação linguística permanecerá em evidência.

Diante dos argumentos supracitados, é evidente que o preconceito linguístico é prejudicial para o país. Desse modo, o Ministério da Educação, por meio das escolas, deve inserir palestras feitas por professores da área de sociologia, demonstrando as diversidades das classes sociais e seus estilos linguísticos e como esses fazem parte da sociedade, para que os alunos aprendam a valorizar todos os tipos de linguagem e suas variações, sejam eles formais ou informais e assim, o distanciamento entre classes seja evitado e o preconceito erradicado. Ademais, é papel da família, por meio da educação ética, acompanhar a aprendizagem dos filhos ao incentivar a valorização por todas as regiões do país, sendo feitas pesquisas em relação aos sotaques e sua importância para a história do Brasil, com o intuito de desmitificar a hierarquia de determinadas localidades sobre outras e então, nenhuma manifestação da lingua portuguesa seja menosprezada.