Preconceito Linguístico
Enviada em 03/10/2018
Durante o Período Colonial, no Brasil, a língua Portuguesa foi imposta para os nativos como forma de opressão e intolerância com os idiomas indígenas, mostrando ser um episódio histórico de preconceito linguístico por ter o objetivo de demonstrar superioridade da língua européia. Hodiernamente, o preconceito linguístico é algo banalizado pela sociedade moderna, que desconhece o caráter mutável da língua portuguesa de acordo com a diversidade brasileira, gerando assim, situações discriminatórias.
É indiscutível que um único idioma possui variantes, isto é, uma única língua apresenta diversas formas de expressão que não cabe à norma padrão decidir se são erradas ou certas, tal expressão pode estar relacionado a região, cultura e meio social que o indivíduo está inserido. Todavia, por desconhecer a variação linguística, indivíduos utilizam dessa diferença para praticar atos discriminatórios, evidenciando a intolerância com a diferença. Um exemplo disso, é o caso divulgado pelo Jornal Estadão em 2016, no qual, um médico zombava da pronuncia de um paciente de baixa renda.
Além disso, é importante destacar que a língua é mais uma forma de demonstrar poder, assim como, na Grécia Antiga, os Sofistas utilizavam da arte da retórica para manipular discussões. Nesse contexto, o linguista Brasileiro, Marcos Bagno, em sua obra “Preconceito Linguístico”, afirma que o idioma é um instrumento de controle e coesão social, e que para construir uma sociedade tolerante, é necessário instruir o respeito com a diversidade linguística.
Portanto, são necessárias mudanças para intervir no problema. Cabe ao Poder Legislativo, criar uma lei na qual a discriminação motivada por preconceito linguístico, seja passível de punição e crime inafiançável. Além disso, o Ministério da Educação, deveria promover a semana da variação linguística, com atividades teatrais e leitura dinâmica voltada para diversidade do idioma, em escolas, para incentivar o respeito.