Preconceito Linguístico
Enviada em 13/10/2018
Desde o inicio do período colonial, em 1532, o Brasil passou por um processo de miscigenação. Esse contato com diversos povos, principalmente indígenas e africanos, possibilitou a formação de uma língua hegemônica. Contudo, apesar da língua ser um dos principais alicerces da sociedade, ela também pode ser considerada um fator de segregação social, pois apesar da grande diversidade linguística do país, o português formal é visto como o correto. Dessa forma, evidencia-se o preconceito linguístico, que somado a um ensino básico defasado tem se tornado um dos grandes males da sociedade contemporânea.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a Língua Portuguesa apresenta diversas variações no contexto regional e social. Essa pluralidade demonstra que a linguagem altera-se constantemente, à medida que o faltante transmite sua individualidade. Nesse contexto, considerar apenas a gramática normativa como adequada, é ignorar a riqueza cultural que os dialetos proporcionam, como dito pelo autor do livro preconceito linguístico, o filósofo brasileiro Marcos Bagno, : “Uma receita de bolo não é um bolo, o molde de um vestido não é um vestido, um mapa-múndi não é o mundo… Também a gramática não é a língua”.
Ademais, é evidente que o preconceito linguístico acentua ainda mais a desigualdade social no país, visto que a língua está totalmente ligada à organização da sociedade e o conhecimento da norma culta pertence ao lugar ou à classe social de maior prestígio. Logo, os falantes que apenas conhecem a obsolescência do ensino básico – os quais, segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica, correspondem a mais de 3 milhões de jovens - não dominam a gramática normativa, assim, tendem a sofrer discriminação linguística, o que pode resultar na dificuldade de inserção nos meios sociais, como o mercado de trabalho.
Fica claro, portanto, que a língua é um fator decisivo na vida em comunidade, portanto, o preconceito linguístico deve ser eliminado. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação deve realizar campanhas informativas nas escolas, por meio de debates e palestras sobre esse tema, além de promover a inclusão, nas aulas de Português, dos diversos dialetos existentes no país, a fim de que crianças e jovens conheçam e aprendam a respeitar as diferenças. Para mais, a mídia precisa acabar com os estereótipos de fala dos personagens da programação, mediante exclusão de papéis que exagerem na representação regional da fala e campanhas, com o propósito de desconstruir o preconceito linguístico.