Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
Promulgada pela Organização das Nações Unidas em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todas as pessoas a liberdade de expressão e o bem estar social. Contudo, muitos indivíduos não usufruem completamente desses direitos, devido ao preconceito linguístico existente no país, o qual está diretamente ligado à falta de conhecimento das variantes linguísticas e à intolerância.
Desde a introdução da corrente modernista no Brasil, os escritores já demonstravam por meio das obras as diferenças linguísticas existentes no país. Entretanto, uma grande parte da sociedade não entende a diferença entre o erro e a variação da língua – também conhecida como regionalismo – que é ocasionado pela desigualdade social, educacional e cultural e também pela grande extensão territorial do país. Um exemplo noticiado é de um médico em São Paulo debochando de um paciente por não saber pronunciar certas palavras, essa atitude é inaceitável, tendo em vista a enorme variação existente na nação.
O problema, porém, não se resume a isso, pois desde o colonialismo europeu, em que houve a imposição da língua europeia, os nativos sofreram com a desvalorização da sua língua. A partir de então, os índios vêm perdendo não somente os seus dialetos, mas a sua cultura e o seu direito de se expressar, o qual está garantido na Constituição. Já dizia Platão que “a maior forma de educação é a tolerância”, conquanto uma parte considerável da população é intolerante aos diferentes tipos de fala, por não compreender a dinamicidade da língua.
Torna-se evidente, portanto, a problemática relacionada a linguagem no Brasil. Primeiramente, O Ministério da Educação, com o apoio do Ministério da Cultura, deve mostrar as crianças como as desigualdades afetam o linguajar das pessoas, por meio de projetos que envolvam literatura, sociologia e teatro. A fim de mudar essa visão social deturpada em relação as variações regionais. Além disso, instituições precisam ser criadas para que ocorram debates relacionados tanto à preservação das línguas indígenas quanto aos regionalismos nacionais, os quais apoiados pela mídia televisiva possam ocorrer publicamente, buscando levar essa discussão a toda sociedade.