Preconceito Linguístico

Enviada em 04/10/2018

O processo de formação do povo brasileiro foi marcado pela diversidade dos povos que ocuparam o país durante sua história. A sinergia de culturas, provinda dos nativos, dos negros escravos e, posteriormente, dos imigrantes (maioria de nacionalidade italiana ou alemã), resultou numa variedade de costumes por todo território nacional, um exemplo é a língua. As variações linguísticas são notadas quando comparados grupos socais diferentes ou regiões diferentes, o que representa uma admirável diversidade cultural, porém um repugnante preconceito em torno dos falantes da língua.

Em primeiro plano, é importante analisar a diferença entre língua e gramática normativa. A gramática normativa nada mais é que a norma teórica do idioma e a língua, o instrumento que o público usa para a comunicação, a qual está sempre em transformação e “viva” (segundo alguns intelectuais do assunto), portanto o preconceito linguístico é fruto de um julgamento feito, na maioria das vezes, por pessoas que não têm contato diário com outras formas linguísticas e julgam, como incorreto ou pejorativo, as formas distintas às suas, que são baseadas somente nas normas de adequação (norma culta) e não nas formas de comunicação faladas, sejam esses gírias, sotaques ou outras variações. Como o exemplo do famoso “puxar o ‘r’’, predominantemente presente na fala dos moradores do interior do Estado de São Paulo e possui notória aversão dos paulistanos; moradores da capital; os quais não usufruem do mesmo costume.

Além disso, a forma de expressão acaba se tornando, infelizmente, um instrumento de determinismo social, ou seja, há o pré julgamento da situação financeira ou intelectual apenas pelo modo de comunicação, seja pelas diferenças regionais, seja pelas diferenças sociais da língua, já que o ensino público precário seleciona parte da população brasileira com baixos níveis rentáveis sem acesso às boas escolas privadas, permitindo que muitos brasileiros não tenham os mesmo conhecimentos que outros sobre a gramática da língua.

Para melhorar o problema, é necessário que haja uma introdução ao ensino sociólogo e da língua baseado na história brasileira e na sua diversidade, por meio de políticas governamentais que possam influenciar escolas e professores a discutirem sobre o tema em sala de aula. Além disso, é preciso que ações de preconceito, exclusão e violência sejam julgadas e punidas pelo o Estado, utilizando  de leis que criminalizem qualquer rompimento dos Direitos Humanos relacionadas ao tema. Dessa maneira o repugnante preconceito em torno dos falantes da língua das minorias possa se tornar num admirável e respeitoso resultado da diversidade brasileira.