Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2018
Há milhões de anos, a língua possibilitou que a espécie humana desenvolvesse a comunicação, aprimorasse as suas interações e, assim, disseminasse conhecimentos essenciais a sua sobrevivência. No entanto, a realidade linguística brasileira dos últimos séculos atua de maneira negativa, visto que gera o preconceito linguístico e aumenta a exclusão social das classes inferiores. Isso acontece devido à falta de domínio da linguagem formal, isto é, o uso do coloquialismo. Por isso, diversas medidas devem ser aplicadas para diminuir a intolerância linguística, incitando a atenção do Ministério da Educação, juntamente com as Secretarias de Ensino e das instituições formadoras de opinião.
Em primeiro lugar, a língua é, desde longa data, um mecanismo instrumentista de controle social, reafirmação do poder e geradora de preconceito. Exemplo disso é a imposição do idioma português aos índios, no processo de colonização do país. Embora a visão portuguesa se aproxime do “arbitrário cultural dominante”, defendido por Pierre Bourdieu sobre a superioridade cultural, “os povos selvagens” não deveriam ser vistos como inferiores, uma vez que o preconceito se baseia em crenças, superstições, ideologias e representações inerentes ao outro e não a quem o sofre.
Dessa forma, respeitar as variedades menos prestigiadas é ser empático e aceitar que cada um tem uma visão de linguagem muito próxima a sua realidade. Além disso, as categorias linguísticas que tangem o “padrão” e sofrem discriminação são consideradas inferiores e motivo de marginalização de seus falantes. Entretanto, o filósofo e linguista brasileiro Marcos Bagno afirma que não há uma forma “certa” ou “errada” do uso da língua. Por causa disso, a gramatica normativa e a oralidade são variantes da linguagem e não superiores entre si, visto que aspectos históricos, sociais e culturais definem variações, como os dialetos, as gírias e os sotaques. Logo, não deve haver exclusão social do indivíduo, pois as ações dos falantes provocam evoluções e adaptações à língua, o que a torna mutável e não estática.
Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico, enraizado na cultural brasileira, deve ser combatido e as diversas variações da língua respeitadas. Sendo assim, o Ministério da Educação e as Secretarias de Ensino devem promover a semana da variação linguística, por meio de práticas escolares, como debates e saraus, a fim de conscientizar a nova geração sobre a importância da tolerância linguística. Ademais, emissoras de televisão, rádio e influenciadores digitais, por intermédio de propagandas, vídeos e campanhas educacionais, podem ajudar na desconstrução do “certo” ou “errado”, para que ocorra o respeito e a democratização da linguagem. Só com medidas básicas e eficientes, o cenário linguístico brasileiro poderá ser mais plural e heterogêneo.