Preconceito Linguístico
Enviada em 05/10/2018
A diversidade linguística tem origem na heterogeneidade cultural brasileira não só devido à intensa miscigenação, mas também à segregação social ocorrida desde os tempos coloniais. Contudo, essa diversidade levou ao surgimento do chamado preconceito linguístico, que é pouco discutido, mas muito presente no Brasil atual. Dessa forma, é necessária uma discussão sobre os fatos recorrentes a essa causa, sobretudo no que diz respeito aos padrões sociais.
“Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”. A partir desse pensamento de Paulo Freire, é possível afirmar que não existe um “jeito certo” de falar, haja vista o contexto regional, cultural, social e histórico do país. Isso levou à formação de diversas variantes linguísticas no Brasil e, fazendo uma referência à Zygmunt Bauman, mostra a liquidez da linguagem, ou seja, sua constante transformação. Entretanto, por conseguinte, essas variedades deram origem ao preconceito linguístico, visto que a sociedade impôs uma variedade padrão, utilizada, inclusive, pelas mídias. Assim, esse cenário faz as pessoas crerem que existe uma forma correta de falar, desvalorizando qualquer outra manifestação da linguagem.
Além disso, o preconceito linguístico é também um preconceito social, visto que a parcela da população marginalizada, sem acesso a uma educação de qualidade, consequentemente, não conhece e nem se comunica segundo a norma culta da língua, que não deve ser desconsiderada, mas se deve admitir a existência das suas variações. Porém, como disse o filósofo Voltaire, “O preconceito é uma opinião não submetida à razão”, ou seja, a ignorância dos falantes da norma culta (os que possuem maior nível de escolaridade e poder aquisitivo) desconsidera os verdadeiros motivos do surgimento desses dialetos regionais. Dessarte, são necessárias medidas voltadas à diminuição de tal preconceito. Diante de tais argumentos, portanto, é necessário que o Ministério da Educação promova a interculturalidade, por meio da inserção dessas variadades linguísticas na grade educacional brasileira e da especialização de profissionais, a fim de inserir esse conhecimento no cidadão desde cedo. Ademais, o Ministério da Cultura deve promover campanhas e eventos sobre essa causa, por meio da disponibilização de verbas, voltadas principalmente à parcela da sociedade com maior poder aquisitivo, a fim de conscientizar a população e reduzir, assim, o preconceito linguístico no Brasil.