Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2018
“Não existe pleumonia”. A frase foi escrita em um receituário por um médico em São Paulo, em 2016, após caçoar da linguagem de um paciente e postar nas redes sociais. Tal situação, configura o preconceito linguístico, muito presente no Brasil a qual atenua a segregação social. Desse modo, é preciso entender que há diversas variantes na língua e, uma não deveria ser mais prestigiada em relação às demais.
Primeiramente, vale ressaltar a grande extensão territorial brasileira, caracterizando diversas culturas locais que influenciam diretamente no léxico e na fala regional de seus estados. Além disso, cada região do país possui um linguajar específico, por exemplo, a região nordeste tem um modo diferente de se expressar, usando expressões exclusivas da região, como “cabra da peste”. Assim como, em outras regiões possui expressões típicas daquela localidade. Todavia, ainda que tais situações sejam comuns, muitos indivíduos são discriminados por suas singularidades ao se expressarem. Diante disso, ficam evidentes a inconsistência do preconceito e a necessidade de proposição de políticas públicas a fim de que se erradique essa problemática.
Ademais, é evidente que o fato de existir uma variante padrão corrobora para desigualdade social. Sob esse prisma é correto afirmar que sujeitos com maior escolaridade e maior poder aquisitivo, por exemplo, sobressaem-se em detrimento daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades, reforçando, assim, a lógica meritocracia. De certo, essa problemática reflete os erros das gestões públicas em relação aos temas educacionais e por isso, é imprescindível que as autoridades tomem atitudes cabíveis para estancar esse impasse.
Fica claro, portanto, que o preconceito seja encarado como um ponto que requer atenção. Cabe ao MEC ações que reformulem os cursos de letras nas instituições de ensino superior no país, atuando na conscientização dos corpos docente e discente para que não falem sobre o assunto apenas, mas o destrinchem a fim de formar alunos que respeitem os variados registros. Ainda ao mesmo órgão em conjunto com a mídia cabe a descentralização da variante metropolitana em horário nobre ou em situações importantes e de repercussão nacional, como por exemplo os telejornais, contemplando a diversidade, para que a maioria dos brasileiros seja representada. Só assim todos aprenderão a ser poliglotas em português.