Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2018
Em 1988, a Constituição Federal brasileira por meio do direito fundamental cultural linguístico assegurou a liberdade de comunicação em diferentes línguas. Todavia, passados quase trinta anos o Brasil se depara com um cenário desafiador. Isso porque, o preconceito linguístico ainda é um problema que persiste intrinsecamente ligado a realidade do país, seja pela estereotipação de determinada língua, seja pelo estranhamento que ainda se tem ao desconhecido. Desse modo, a problemática em questão constitui uma ameaça para a língua como forma expressão e, por isso, deve ser enfrentada.
Conforme o linguista da USP, Marcus Bagno, não existe nenhuma língua superior a outra, pois ela é característica de cada povo e, não se trata, dessa maneira, de algo padronizado. Tomando como norte a ótica do autor, é possível dizer que ainda há um errôneo estereótipo criado pelas pessoas de que a língua do país de origem é a única que deve ser falada dentro daquele território. Nesse sentido, a lenta mudança de mentalidade social a respeito dessa padronização linguística aumenta ainda mais o abismo que separa os indivíduos e a aceitação de diferentes línguas como forma de comunicação.
Outrossim, convém salientar que o Brasil vive tempos de " Modernidade Líquida". O conceito proposto pelo filófofo Zygmunt Baumman faz menção a rapidez com que as informações são repassadas hodiernamente, o que muitas vezes dificulta a reflexão sobre dados recebidos, acostumando o ser a utilizar apenas o conhecimento prévio. Logo, o indivíduo terá dificuldades de aceitar o que é desconhecido, uma vez que sua formação pessoal baseou-se apenas em uma esfera de vivência. Nessa perspectiva, pode-se dizer que diferentes línguas serão aceitas apenas quando as pessoas tiverem o contato com culturas que possuem linguajares diferentes, o que muito pouco é feito no Brasil.
Fica evidente, portanto, que caminhos precisam ser tomados para superar ao preconceito linguístico. E para garantir isso, é imprescindível que o Poder Legislativo tabule leis que punam de forma severa qualquer tipo de ato discriminativo que fira o direito fundamental cultural linguístico, a fim de que a velha mentalidade social que cria um esteriótipo para a língua, possa ser mudada. Ademais, cabe ao Estado, na figura do Ministério da Educação, promover nas escolas o contato com línguas de diferentes povos e grupos étnicos, por meio de vídeos e documentários que sejam repassados em atividades complementares nas salas de aula, com o fito de formar pessoas que tenham um ponto de vista ético e de aceitação quando em contato com oque ainda é desconhecido. Por fim, o Governo Federal, vinculado ao recurso midiático, precisa convidar a população para combater o problema, de forma a divulgar propagandas com caráter impactante que alerte sobre fato, para que toda a nação possa estar mobilizada no combate a problemática em questão.