Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2018
Na primeira metade do século XX, escritores, artistas e pensadores inauguraram no Brasil a Segunda Fase Modernista. Essa foi caracterizada pela busca por uma linguagem típica brasileira a partir dos múltiplos regionalismos e dialetos do país, que foram valorizados e se tornaram grandes símbolos do período. Todavia, em meio ao século XXI, esses pensamentos se opõem a atual problemática presente na sociedade brasileira: o preconceito linguístico, uma calamidade que mantém seu movimento seja pela ineficiência do Estado, seja pela lenta mudança na mentalidade social.
Em primeiro plano, é indubitável que a insuficiência estatal está entre as causas do problema. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por organizar a sociedade e garantir-lhes o que é necessário para viver com qualidade. Em contraposição ao postulado filosófico, o Governo brasileiro se mostra inoperante nesse aspecto, visto que esse é incompetente em dar educação de qualidade a todos. Dessa maneira, ao investir minimamente no ensino, o órgão contribui para o analfabetismo funcional no Brasil, um dos embriões ao preconceito linguístico.
Em segundo plano, a lenta mudança na mentalidade social se mostra como outro fator para a subsequência do problema. Isso pois há uma coerção social no Brasil quanto à linguística, na qual, haja vista a herança gramatical portuguesa, os indivíduos são levados a seguir essa norma padrão, que é valorizada como um sinônimo de erudição. Nesse sentido, parte da população desconsidera as múltiplas variações diatópicas e diacrônicas presentes no país, visto que essas fogem da norma padrão brasileira por serem dialetos informais. Dessa maneira, a mentalidade estática populacional a respeito da variação linguística brasileira é uma das causas para o problema.
Tendo em vista os argumentos apresentados, é evidente, portanto, que há entraves para que haja a desconstrução do preconceito linguístico por parte dos brasileiros. Para tal, cabe ao Estado o maior investimento ao Ministério da Educação, que seria responsável por implementar educação de qualidade no brasil, além novas aulas como obrigatórias, que incluiriam os tipos de variações linguísticas com o passar da história e, quais transformações sociais foram necessárias para a criação de uma língua tipicamente brasileira. Isso seria ensinado nos ensinos fundamental e médio e tal ação traria como consequência o maior entendimento sobre os regionalismos brasileiros e suas peculiaridades. Dessa maneira, o preconceito linguístico diminuiria paulatinamente no país e a valorização das línguas regionais tomariam força, assim como na Segunda Fase Modernista.