Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2018
Devido a grande extensão territorial e a mistura étnica existente na sociedade brasileira, é possível destacar o Brasil como um dos países com maior número de variantes linguísticas, já que ,desde o período colonial (1500 - 1822), recebe povos oriundos de diversas partes do mundo, que influenciam diretamente na construção e modificação da língua portuguesa brasileira. No entanto, apesar da pluralidade linguística existente no território nacional, ainda existe grande preconceito propagado por alguns grupos sociais, que menosprezam determinadas variantes, ao não adequarem-se a certas situações de comunicação e considerarem a linguagem formal como a única correta.
Nesse âmbito, no livro “Vidas Secas”, escrito por Graciliano Ramos, é facilmente perceptível a existência de preconceito linguístico na sociedade brasileira, visto que o personagem principal, o sertanejo Fabiano, é preso e torturado por não saber falar “direito”, ou seja, não utilizar da modalidade formal da língua portuguesa. Desse modo, é possível perceber que a discriminação de variantes linguísticas está arraigada na sociedade brasileira e tem sido pauta de diversos debates, já que através da obra, Graciliano Ramos, retrata uma realidade que embora seja ficcional, ainda é vivenciada ,atualmente, de uma forma mais branda mas bastante frequente.
Outro aspecto bastante relevante é a não adequação do falante às diversas situações de comunicação. Nesse sentido, é importante ressaltar que uma pessoa alfabetizada e consciente deve tentar adequar sua oratória ao ouvinte. Sendo assim, é recomendável ser levado em consideração o nível de escolaridade, o grau de alfabetização, a idade, o grupo social em que o receptor está inserido, e outros fatores que podem influenciar na pluralidade linguística, para conseguir comunicar-se adequadamente com todos os seres sociais. Sendo assim, por meio do respeito a todos os interlocutores, será muito mais fácil entender a multiplicidade linguística nacional pois, segundo o escritor brasileiro, Marcos Bagno: “Uma receita de bolo não é um bolo, o molde de um vestido não é um vestido, um mapa-múndi não é o mundo… Também a gramática não é a única língua.”
Portanto, na tentativa de garantir que toda forma de comunicação seja respeitada, um diálogo entre mídias sociais e educação é medida que impõe-se. Nesse contexto, a escola deve agir incentivando seus alunos a respeitarem qualquer variante linguística, por meio de palestras com os professores de linguagens, que serão responsáveis por ensinarem os alunos a adequarem-se às diversas situações de comunicação e buscar estabelecer diálogos. Além disso, as mídias sociais podem ajudar, tornando-se ambiente de discussões entre internautas sobre a variedade linguística nacional. Feito isso, será possível alcançar, cada vez mais, o respeito a todos os desdobramentos linguísticos brasileiros.