Preconceito Linguístico

Enviada em 02/10/2018

O Brasil, desde que foi descoberto e passou a ser colonizado em 1530, sofre influências de diversas culturas. As línguas faladas no país, atualmente, são compostas de um misto de influências étnico-raciais, que sofrem diversas variações ao longo dos anos. Por esse motivo, o preconceito linguístico é constante.Portanto, é necessário o debate entre Estado e sociedade, a fim de que esse seja minimizado.

Em 1826, no país, foi declarada a oficialidade da língua portuguesa, que consolidou o eurocentrismo e o preconceito linguístico, visto que grande parte dos nativos tinham como língua geral o Nheengatu. Com isso, as dificuldades enfrentadas pelos índios, sobretudo no nível fonético, fez com que a língua oficial sofresse ainda mais variações e preconceitos. Sobre esse viés, consolida-se a frase do sociólogo Max Weinreich, que diz que a língua é um dialeto com exército e marinha, destacando, assim, o poder de dominação dos diversos idiomas.

Além disso, atualmente, com a decadência educacional vivenciada por milhões de brasileiros em decorrência da má gestão dos recursos públicos, é comum que haja confusão entre as normas padrão e culta. A primeira diz respeito à tentativa de tornar imutável a Língua Portuguesa brasileira e a segunda é àquela falada pelas classes sociais mais valorizadas e sofre variações históricas, sociais, geográficas e situacionais. O maior erro,segundo o linguista Marcos Bagno, é acreditar que há uma falar errado, visto que as variantes também fazem parte das línguas existentes no Brasil e no mundo.

Por conseguinte, a Constituição brasileira de 1988 afirma que todos os indivíduos são iguais perante a lei,mas essa mesma lei é escrita numa língua que poucas pessoas têm acesso, levando, consequentemente, aos inúmeros motivos que geram intolerância nas formas fonético-lexical. Diante disso, a ideia do escritor Paulo Freire que diz se a educação não muda a sociedade, a sociedade , sem ela, tampouco muda, passa a ser realidade.

Fica evidente, portanto, a inexistência de diálogo entre Estado e sociedade.Cabe aos Ministérios da Educação e Cultura a divulgação e a criação de campanhas que informem as pessoas da existência das variações linguísticas e a importância delas como forma de identidade e expressão de um povo, através de tirinhas e recursos visuais. Essas devem ser publicadas nas internet e fixadas nos transportes públicos , estimulando, com isso, a inexistência de preconceitos linguísticos e a valorização da miscigenação brasileira. Assim, a sociedade se torna mais educada e sadia.