Preconceito Linguístico
Enviada em 02/10/2018
É notório observar que o preconceito linguístico está internamente ligado à questão social, em que aqueles que tiveram acesso a uma boa educação discriminam pessoas que utilizam linguagem coloquial. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar fatores que favorecem esse quadro em que não existe a valorização da linguagem popular, como também a penalização de indivíduos que promovam tal prática.
De certo, evidencia-se que a coletividade é estruturada por um modelo excludente imposto por grupos dominantes,no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, branco e culto, sofre uma periferização social. Nesse viés, a análise do preconceito linguístico é claramente observado na obra lobatiana o Sítio do Picapau Amarelo em que a famosa Tia Nastácia conta histórias utilizando uma linguagem popular, já Dona Benta em uma linguagem formal. A quituteira Nastácia é amplamente criticada por alguns personagens pelo seu vocabulário simples.
Outro ponto relevante, nessa temática é a não punição de indivíduos que cometem essa prática. Como o caso de um médico que criticou e divulgou em sua rede social a maneira como um paciente falou em consultório, o caso foi amplamente divulgado nos veículos de comunicação. Dessa forma, observa-se que o profissional foi antiético e preconceituoso, pois de acordo com o professor Marcos Bagno, a linguística moderna tem demonstrado cientificamente que todos os modos de falar são lógicos,coerentes e seguem regras modernas.
Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental,portanto, que o Poder Legislativo crie uma lei com a finalidade de punir pessoas que pratiquem preconceito linguístico. Aliado a isso, o Ministério da Educação por meio das Diretorias Regionais de Ensino, deveram criar uma cartilha com as diferentes formas de falar no país. Quem sabe, assim, haja uma diminuição no desrespeito ao falar diferente.