Preconceito Linguístico

Enviada em 01/10/2018

O idioma oficial brasileiro foi um instrumento de dominação de Portugal, que foi imposto de maneira forçada, além de menosprezar as demais línguas nativas. Esse cenário tem origem inconteste na Colonização do Brasil, em virtude não só do controle social exercido pelos donos dos meios de produção, mas também de um sistema de ensino que não convida à reflexão.

Mormente, é possível constatar que o domínio do Estado em relação a classificação das línguas, aliado ao Brasil Colônia é um dos principais responsáveis pelo atual cenário de prejulgamento das diferentes maneiras de se comunicar. As distintas linguagens possuem o mesmo objetivo em comum, a comunicação da sociedade. Essas línguas são análogas à cultura, pois não existe superioridade entre elas, mas sim a “língua padrão”, imposta pelo Estado, juntamente com a classe dominante. Em consequência disso, surgem as controversas, já que há diferenças entre as linguagens populares e a linguagem culta, dessa forma, em vez de estimular a comunicação, propaga-se a segregação e a aversão entre essas pessoas.

Além disso, percebe-se que a escola, como formadora de cidadãos, somado ao Brasil Colonial, contribuem para os conflitos entre as diversas linguagens. Tal conjuntura origina-se a partir de uma mentalidade construída desde a catequização dos índios pelos Jesuítas, na imposição da “educação” com base na força e prejudicando quem não aderir esse conhecimento. Esse sistema de ensino estende-se até os dias de hoje, pois ele não permite que o aluno questione.

Diante do exposto, é importante perceber que para solucionar esse quadro de preconceitos linguísticos, torna-se fundamental o reconhecimento de que sua origem está na instauração da língua portuguesa no Brasil. Assim, o Governo Federal em parceira com seus órgãos e ministérios deveria criar um Programa Nacional de Integração das Linguagens, que tivesse como objetivo a criação de um Fundo Nacional que patrocinasse eventos de linguagem e cultura em ambientes públicos, por meio de profissionais especializados em suas diferentes linguagens. Ademais, esse programa poderia propor ao Congresso a criação de leis que alterassem as Diretrizes Curriculares por intermédio da inserção de linguagens verbais presentes em todo território brasileiro, e também as não verbais na modalidade de ensino fundamental. Dessa forma, essa problemática ficará apenas nos livros de história.