Preconceito Linguístico

Enviada em 01/10/2018

Entre os debates mais intensos que permeiam a sociedade hodierna, um dos assuntos que não pode ser colocado em segundo plano, certamente, é o preconceito linguístico. Devido ao modo de formação do território brasileiro, as diferentes regiões apresentam variações da língua, ocasionando assim um preconceito intrinsecamente ligado à sociedade, visto que, os indivíduos estão cada vez mais individualistas, não sendo capazes de tolerar diferenças. Uma vez reconhecida essa realidade, é preciso pensar em soluções que revertam esse quadro insustentável, caso contrário, a transição do século XXI para o século XXII não passará de uma estagnação evolutiva.

Nesse contexto, é importante ressaltar que durante o período pré-colonial, a grande extensão do território brasileiro fazia com que coexistissem milhares de tribos indígenas, cada uma com sua própria língua. Conquanto, com o processo de colonização, a supremacia dos portugueses sobre os nativos, ocasionou o desaparecimento de diversas línguas indígenas, fato motivado pelo desejo dos colonizadores de impôr o português trazido de Portugal para a nova terra conquistada. Dessa forma, o assédio linguístico, infelizmente, é um obstáculo presente no decorrer da história, necessitando de ações para reverter esse nefasto cenário.

De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra ‘‘Modernidade Líquida’’, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós-modernidade, e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Outrossim, os indivíduos utilizam a língua como ferramenta de segregação, analisando apenas a sua variação linguística e julgando como errado as variantes diferentes, motivo no qual faz com que o preconceito persista no convívio social. Nesse sentido, um caminho possível para combater o preconceito linguístico é desconstruir o principal problema da pós-modernidade, segundo Bauman: o individualismo.

Infere-se portanto, que é imprescindível a mitigação do preconceito linguístico em âmbito nacional. Nessa perspectiva, o Ministério da Educação em parceria com as escolas, deve realizar exposições para os alunos e para a comunidade, apresentando as diversas variações linguísticas e a sua importância para a formação do território brasileiro, a fim de uniformizar o laço social e, também, cumprir com a máxima de Nelson Mandela que constitui a educação como segredo para transformar o mundo. Ademais, a mídia com seu poder persuasivo, deve transmitir vídeos em que as pessoas de diferentes localidades apresentem palavras e expressões populares, fazendo com que ocorra uma integração entre variações distintas e gradativamente vá diminuindo esse preconceito.