Preconceito Linguístico

Enviada em 29/10/2018

Em 1922, se dava o marco inicial do Movimento Modernista no Brasil, com a realização da Semana de Arte Moderna. Tal evento apresentava como um dos principais objetivos a ruptura dos padrões cultos de expressão dos movimentos anteriores para valorizar a linguagem coloquial. Entretanto, esse projeto de liberdade linguística só persistiu no âmbito literário, uma vez que, hodiernamente, o preconceito linguístico se faz presente na sociedade.

A priori, é importante ressaltar que embora os brasileiros sejam falantes da Língua Portuguesa, ela apresenta diversas variações de acordo com o meio social, histórico e regional em que eles estão inseridos. No entanto, ainda que certas variantes sejam comuns e frequentes, muitas pessoas são discriminadas pelo sotaque, gírias e dialetos que utilizam pra se expressarem. Comprova-se isso, com o ‘‘mineirês’’, característico linguajar dos mineiros, que são constantemente vítimas de deboches e chamados de caipiras por apresentarem uma forma e expressões particulares da região de Minas Gerais para se comunicarem.

A posteriori, observa-se que a educação é um bem inacessível por vários cidadãos de classes sociais desfavorecidas. Por esse motivo, a forma de pronunciar de muitas pessoas, analfabetos e semianalfabetos, é considerada errada, por esses não terem tido a oportunidade de aprenderem na escola a linguagem da norma padrão, determinada como correta pela Academia de Letras Brasileira. Sobre esse viés, é possível destacar o polêmico caso do médico Guilherme Capel, que publicou em suas redes sociais a foto de um receituário para debochar do paciente que teria dito peleumonia ao invés de pneumonia em uma consulta.

Destarte, urgem sinérgicas políticas públicas entre as escolas, a mídia e o Estado a fim de converter a problemática abordada. Convém às instituições escolares promoverem o ensino das variações linguísticas com a finalidade de conscientizar os estudantes sobre a pluralidade da Língua Portuguesa, de modo a respeitá-la. Outrossim, é imprescindível que a mídia pare de estereotipar os personagens de acordo com sua maneira de falar e poderia investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico. Ademais, o Estado deve implantar mecanismos para a punição contra pessoas que praticarem tal preconceito, já que ele pode gerar vários outros problemas sociais como exclusão, discriminação e evasão escolar.