Preconceito Linguístico
Enviada em 01/10/2018
De acordo com o artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário, todo membro da família humana tem direito a ter sua honra e reputação preservada. Entretanto, tal direito está sendo violado no Brasil, posto que o preconceito linguístico persiste e resiste na realidade do país. Logo, coletividade e poder público devem se perguntar acerca do seu papel no enfrentamento dessa demanda social que tanto ameaça a integridade moral de vários brasileiros.
Deve-se pontuar, de início, que o preconceito linguístico se faz presente muito por conta da separação socioeconômica causada pelo sistema capitalista vigente que dita o que é considerado o modo “certo” e “errado”, associando, respectivamente, ao modo “rico” e pobre" de ser falar. Esse fato, pode ser comprovado pela ideia presente no imaginário da população de que a linguagem do Nordeste, região historicamente marginalizada, é inferior à linguagem da região Sudeste, e não á toa, quando se fala “errado” nessa última região citada, o falante, não raramente, é apelidado ofensivamente de ‘baiano’ ou ‘paraibano’. Nesse sentido, consoante a ideia do sociólogo Durkheim, em que há uma maneira coletiva de agir e pensar passada de geração para geração, a divisão econômica desde a época da formação do país se reflete na exclusão social, provocada pela variedade linguística dos seus habitantes.
Vale ressaltar, também, o descaso estatal em relação a esse assunto nas ruas do país. Isso porque, o Estado não cumpre seu dever constitucional de zelador da dignidade moral da sua sociedade, quando nada é feito para mudar o cenário de preconceito linguístico. Dessa forma, é imperativo que o poder público aja assertivamente para mudar tal realidade e oferecer a todos os seus habitantes o direito de se expressar, preservando, assim, a diversidade, principal marca do Brasil.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas com vistas a tornar o preconceito linguístico um problema do passado. Para tanto, as escolas, responsáveis tanto pela formação moral quanto intelectual de crianças e jovens, promovam encontros e oficinas ministradas por especialistas na área, a fim de estimular a tolerância e o respeito mediante a quebra de estereótipos e de preconceitos desde cedo. Ademais, o Ministério da Cultura deve em parceria com as emissoras de Tv aberta e com as Redes Sociais, proporcionar propagando publicitárias que expliquem a diversidade e a importância dela para a composição identitária nacional, além de gerar debates e “encontros” virtuais com estudiosos da área e usuários objetivando o conhecimento, a conscientização e por fim, o respeito. Desse modo, observada uma ação conjunta dos dois atores sociais, o país dará passos mais firmes na direção de fazer jus ao compromisso firmado em 10 de dezembro de 1948.