Preconceito Linguístico

Enviada em 01/10/2018

Preconceito linguístico é o julgamento depreciativo e humilhante da fala do outro ou da própria fala. Normalmente, as variantes desse preconceito advém de uma visão estereotipada do modo de se comunicar de grupos menos prestigiados na sociedade, como as camadas sociais mais baixas e moradores de áreas do interior do país. Historicamente, isso ocorre pelo sentimento de superioridade da linguagem falada e escrita por grupos sociais mais privilegiados econômica e socialmente. Entender as causas da variação linguística no Brasil é uma ótima forma de se combater essa discriminação.

Em primeiro lugar, persiste um estigma de que só existe uma única língua portuguesa correta, sendo esta, a ensinada nas escolas e derivada das regras de Portugal. Além disso, segundo o linguista Marcos Bagno, tais regras advém de um ato institucional por parte do governo, juntamente com alguns filósofos, que fixam as normas de acordo com seu gosto pessoal. Relativo a esse equívoco, gera-se na sociedade uma crença de que todos que falam diferente da norma culta, estão errados, fazendo assim, com que muitas pessoas sofram discriminação. Diante disso, percebe-se que não é levado em conta a enorme variedade cultural do Brasil, na qual observa-se indivíduos de diferentes lugares, podendo ter ou não, acesso escolar; portanto, acabam adaptando a língua portuguesa aos seus modos de vida.

Por outro lado, um fator importante é a maneira como as classes sociais mais abastadas usam a linguagem para caracterizar os indivíduos pertencentes a diferentes grupos regionais do Brasil. Como exemplo: as novelas televisivas sempre criam personagens do Nordeste para serem vistos como pessoas de baixa escolaridade e que não fazem o uso correto da linguagem normativa; enquanto personagens do Sul brasileiro são pessoas cultas e de alto poder aquisitivo. Essa estereotipagem só agrava ainda mais o preconceito linguístico, fazendo com que as pessoas menos privilegiadas sejam vistas como indivíduos de fácil manipulação por meio de discursos com jargões específicos.

Fica claro, portanto, que a língua é um fator que gera mais um tipo de preconceito no Brasil, sendo assim é necessário combatê-lo. Primeiramente, o Ministério da Educação deve inserir na base curricular da disciplina de português, estudos mais aprofundados em sala de aula que ensinem aos alunos acerca das diferentes variações da linguagem em território nacional, e que isso seja passado aos estudantes como algo natural e que deve ser respeitado. Ademais, é imprescindível que a mídia pare de estereotipar os personagens de acordo com as suas regiões de origem e seus modos de falar, e no lugar disso, invista em campanhas propagandísticas educando a população a respeito das variações linguísticas. Pois como salientou o cientista Albert Einstein: “Sem cultura moral, não haverá saída para os homens”.