Preconceito Linguístico
Enviada em 01/10/2018
Foi com advento do Modernismo que os escritores brasileiros buscaram mais ativamente incluir nos textos literários as características típicas da linguagem popular. De fato, isso foi uma inovação, pois sempre houve certo distanciamento entre a linguagem falada e a escrita, sendo uma considerada errada e a outra correta. Tal preconceito linguístico, sendo proveniente da imposição de padrões por uma classe dominante, constitui-se uma forma de descriminação contra aqueles que não utilizam a linguagem culta.
Em primeiro plano, é preciso ressaltar que a principal função da linguagem é a compreensão mutua. Sendo assim, a forma de falar deve adequar-se ao contexto no qual se insere, afinal, assim como não é condizente ir de chinelos para um casamento ou de vestido longo para a praia, não cabe o uso de um discurso formal em um diálogo descontraído. Logo, é inadequada a classificação de uma linguagem como certa ou errada, visto que em cada ambiente os falantes possuem uma forma típica de comunicar-se, forjada de acordo com a ocasião, além de aspectos socioeconômicos e culturais.
Ainda nesse ponto, cabe lembrar que tais questões socioeconômicas e culturais, influenciam nas diferentes formas de valorização de uma linguagem e seus falantes. Como afirmou o sociólogo Karl Marx, vivemos em uma sociedade de classes na qual a classe dominante tem poder de controle. Dessa forma, estabelecem-se falas sem prestígio social, consideradas inferiores a uma norma culta que exerce domínio dentro da língua. Esse tipo de conceito gera os casos de assédio linguístico em que pessoas são humilhadas devido a sua forma de falar. Assédio esse, exercido por uma classe de indivíduos que tal qual os romanos na Antiguidade, consideram outros povos como bárbaros por não falarem sua língua.
Perante esse senário no qual preconceito linguístico insere-se como forma de opressão social, medidas precisam ser tomadas. Cabe ao Ministério da educação, inserir no âmbito escolar, livros didáticos que desmistifiquem os conceitos opressores e arcaicos acerca da língua, de modo que os professores possam ensinar a linguagem gramaticalmente correta sem desprestigiar a língua falada coloquialmente. Ademais, é importante a atuação dos diversos artistas, músicos e escritores, expondo em suas obras o valor da linguagem popular, empoderando essa classe de pessoas ao ressaltar e dar visibilidade às peculiaridades do seu jeito de se expressar. São essas algumas medidas em prol da língua portuguesa e em benefício a todos os seus falantes.