Preconceito Linguístico
Enviada em 01/10/2018
Infere-se na Constituição Brasileira que todo indivíduo tem direito à liberdade de expressão, contudo, ainda que a legislação vigente garanta tal direito, há um entrave para que seja exercido por alguns: o preconceito linguístico. Tal fenômeno, apesar de sutil, traz efeitos negativos para a vítima e, dentre suas causas estão: o etnocentrismo histórico e um ensino nas escolas limitado à gramática normativa.
A priori, é notório que o etnocentrismo exacerbado existente no Brasil acarreta a perpetuação do problema. Visto que, grupos como os nordestinos e moradores rurais, durante a história, eram tratados como inferiores intelectualmente e que, hoje, essa visão permanece intrínseca ao povo brasileiro, fica evidente que, como qualquer outro, o preconceito linguístico vem da não conscientização sobre as diferenças. Como dizia Schopenhauer: “Todo homem toma como limite de mundo seu próprio campo de visão”, nesse sentido, é preciso combater essa visão limitada do etnocentrismo linguístico.
Outrossim, o ensino do português limitado à gramática normativa nas escolas é um fator que contribui para a formação de uma geração intolerante. Porquanto as variantes não são ensinadas nas salas de aula, diversas vezes esses alunos usam o conhecimento que lhes foi adquirido como forma de dominação, ao oprimir a vítima por meio de piadas e humilhações por exemplo, restringindo, assim, o direito que lhe é garantido por lei: a liberdade de expressão. Dessa forma, a importância de uma mudança no modelo de ensino se ilustra no pensamento de Helen Keller, em que afirma ser a tolerância o resultado mais sublime da educação.
Em suma, urge a necessidade de combater o preconceito linguístico, garantindo, de fato, a plena aplicação da Constituição. Para isso, o Ministério da Cultura, em parceria com a mídia deve fazer campanhas de conscientização nas redes sociais e na televisão, através de propagandas, esclarecendo sobre a existência e a importância cultural de cada variante, a fim de desconstruir esse preconceito enraizado. Ademais, o Ministério da Educação deve agregar à grade curricular básica o ensino sobre as variantes da língua portuguesa, por intermédio de aulas e materiais didáticos, para que a tolerância mencionada por Helen Keller seja, finalmente, alcançada no Brasil.