Preconceito Linguístico

Enviada em 30/09/2018

Após a Semana de Arte Moderna, em 1922, a linguagem popular adentra no mundo artístico. Oswald de Andrade, por exemplo, valoriza a linguagem coloquial e livre de regras gramaticais como forma de inovação e crítica ao preconceito linguístico. Entretanto, nos dias atuais, esse preconceito vem se tornando mais recorrente, principalmente nas redes sociais, além de ser uma forma velada de perpetuação de outros preconceitos. Por isso, é necessário debater sobre o tema e analisar os impactos dessa problemática na sociedade.

Em uma primeira análise, vê-se que preocupações associadas à intolerância com a variação linguística não apenas existem como vem crescendo a cada dia. Diante do exposto, é preciso buscar as causas dessa questão, entre as quais, emerge como a mais recorrente as relações sociais de poder na sociedade. Isso acontece principalmente em virtude de pensamentos preconceituosos baseados na associação de uma fala fora da norma padrão com a pobreza ou baixa escolaridade. Em defesa dessa assertiva, cabe citar o caso do médico Guilherme Capel que debochou de sua paciente que dizia “peleumonia” e “raôxis”. Uma consequência direta disso é o sentimento de inferiorização, isolamento e ofensa de uma camada da população que sofre por “falar errado”.

Ademais, é válido citar que a língua é uma forma de identidade de um povo, e não respeitá-la é menosprezar  uma cultura. Um exemplo desse preconceito é o que vem acontecendo nas redes sociais sobre as eleições de 2018, em que pessoas debocham dos nordestinos por não saberem falar corretamente o nome do seu próprio candidato à presidência. Sendo assim, mais uma vez, o preconceito linguístico é velado e sempre trás consigo o preconceito de uma camada populacional estereotipada de sem estudos.

Diante do exposto, cabe às instituições de ensino com proatividade o papel de deliberar acerca desse assunto com palestras elucidativas, por meio de dados estatísticos e depoimento de pessoas envolvidas com o tema para que a sociedade civil, não seja complacente com essa forma de preconceito. Ademais, ao Poder Público, cabe fortalecer políticas para combater esse preconceito, estendendo ações como o livro de Marcos Bagno “Preconceito Linguístico” a fim de formar multiplicadores de prevenção ao preconceito. Por fim, aos órgãos midiáticos cabe debater o assunto em novelas e filmes, além de divulgar a lei do Marco Civil da Internet que pune qualquer ato de preconceito linguístico ocorrido, para que, no futuro, o Brasil acabe com essa problemática e exista respeito com relação as diferenças.