Preconceito Linguístico
Enviada em 29/09/2018
Durante a idade moderna, através da expansão marítima europeia em prol de colonizar novas terras, era comum que os colonizadores obrigassem os colonos a aprenderem a língua da nação colonizadora como símbolo de conquista. Nesse contexto, hodiernamente, no Brasil, ainda é comum o preconceito linguístico por parte da sociedade que discrimina as diversas variações de se falar o português pelo extenso território nacional. Dessa forma, convém analisar os motivos que corroboram para a cristalização do quadro social segregacionista vigente.
Deve-se analisar, em primeiro momento, a imposição pela sociedade da variante linguística padrão para distinguir uma parte da população como superior. Para o linguista Marcos Bagno, em seu livro Preconceito Linguístico, não existe forma certa ou errada de se falar, uma vez que a gramática normativa é utilizada como ferramenta de distinção e dominação pela população culta. Logo, aqueles que, por motivos sociais como falta de acesso à educação ou fatores regionais, não falam de acordo com a norma linguística imposta como padrão, não deveriam ser taxados como inferiores. No entanto, é comum notar que muitas pessoas, são discriminadas seja no âmbito escolar, seja no âmbito profissional, simplesmente por falarem com o sotaque da região em que vivem.
Outrossim, é fulcral que se relacione o preconceito atual como um fator histórico. Nesse sentido, a problemática envolvendo todo o preconceito vem se formando desde a colonização do Brasil, quando os portugueses impuseram sua língua aos nativos. Além disso, o Brasil teve influências de países como França, Inglaterra, Itália e também do continente africano durante todo o seu desenvolvimento linguístico. Nota-se, assim, que a imposição de “uma língua superior” pelos europeus repercute até os dias atuais, evidenciando a manutenção de uma hierarquia linguística em detrimento de apenas variações linguísticas. Dessa forma, a rejeição sofrida pelas populações do interior ou de regiões mais pobres do país pelo seu modo de falar diferente da sociedade elitista é um exemplo de situação em que pessoas se classificam como melhores do que outras apenas pelo seu sotaque ou regionalidades.
É mister, portanto, a tomada de atitudes que revertam o quadro segregacionista atual. Para isso, é necessário que o MEC, em parceria com as Escolas, institua eventos semestrais através de reuniões educativas entre professores, alunos e responsáveis, objetivando a conscientização de que todas as variantes linguísticas devem ser respeitadas. Além disso, o Estado deve investir na promoção de campanhas publicitárias através da TV e internet que mostre a fala de pessoas das várias regiões do país, com a finalidade de divulgar para o maior número de pessoas possível que não existe hierarquia linguística no país, mas sim, variações de se falar.