Preconceito Linguístico

Enviada em 29/09/2018

Funcionando conforme a primeira Lei de Newton, a qual um corpo tende a permanecer em seu estado natural até que uma força suficiente atue sobre ele mudando o percurso, é possível afirmar que o preconceito linguístico se faz presente na sociedade brasileira há algum tempo. Diante disso, tal problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela inoperância do Estado, seja pelo fator histórico-social.

Primariamente, é indubitável que a questão Constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Isso porque, segundo o filósofo grego Aristóteles,a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, as falhas políticas públicas rompem essa harmonia, haja vista que a insuficiente fiscalização e combate em prol da tolerância linguística- diatópica, diafásica, diastrática - facilitam a manifestação desse preconceito. Nesse sentido, as variedades linguísticas, definidoras de uma sociedade ( cultura, tradição ) tornam-se oprimidas e excluídas, em virtude da idealização de uma língua " superior".

Outrossim, destaca-se o viés histórico-social como impulsionador do problema. Posto isso, Machado de Assis estava correto, em suas Memórias Póstumas, ao dizer que preferiu não ter tido filhos para que eles não presenciassem o legado da miséria humana. Dessa forma, o preconceito linguístico advindo desde o Período Colonial, com os indígenas, mediante a imposição de uma língua pelos jesuítas, perpassara e é realidade no cotidiano brasileiro. Logo, tal intolerância vai de encontro aos princípios iluministas, os quais asseguram a Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Destarte, é necessário que o Governo Federal, em parceria com o Poder Legislativo, desenvolva leis e projetos que proteja e resguarde as diferentes variedades linguísticas. Isso pode ser feito por meio da criminalização desse ato hostil, proporcionando multas e pagamentos de cestas básicas, a fim de respeitar e possibilitar a pluralidade da língua. Ademais, cabe a mídia, capaz de influenciar o corpo social, a promoção de palestras e campanhas, em conjunto com os Ministérios da Educação e Cultura, para demonstrar o quão importante é a preservação das diferentes manifestações fonéticas para a formação social. Desse modo, a sociedade obterá forças para sair da inércia e inibir tal preconceito.