Preconceito Linguístico
Enviada em 29/09/2018
Durkheim define a sociedade como um organismo biológico, cuja parte em disfunção ocasiona o colapso do sistema inteiro. Esta reflete ao preconceito linguístico sofrido por grande parte dos brasileiros, que se propaga cada vez mais pelos meios de comunicação e entretenimento. Outrossim, apesar do 3° Artigo da Constituição condenar qualquer tipo de discriminação, há um descompasso entre suas especificidades, contribuindo para sua ineficácia. Dessarte, faz-se necessário que haja uma mobilização da mídia e do Estado acerca dessa questão.
Desde a colonização, é notória a enorme quantidade de imigrantes que vieram para o Brasil, fato primordial para a formação da diversidade cultural e linguística existente no país. Essa variedade é a causa de diversos preconceitos regionais e, dentre eles, o linguístico é o mais marcante. Contudo, este não é considerado um crime, por não estar especificado na Constituição, provocando sua perpetuação, principalmente nas escolas, onde há muitos alunos com sotaques e gírias diferentes, sendo ridicularizados por professores que só consideram válida a fala de acordo com a gramática normativa, restringindo o direito da liberdade de expressão dos indivíduos.
O filósofo Schopenhauer declara que os limites do campo de visão de uma pessoa determina sua percepção sobre o mundo. No entanto, os meios midiáticos, que deveriam ser o principal instrumento de combate ao preconceito linguístico, o propaga ainda mais. A exemplo disto, o nordestino é retratado com inferioridade em filmes e novelas, além dos termos pejorativos utilizados para caracterizar algumas pessoas por seu modo de falar característico de onde vivem, como “caipira” e “roceiro”. Ademais, a discriminação também é retratada nos livros, como na obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, cujo personagem Fabiano tem dificuldade de se expressar conforme a norma padrão de comunicação e, por isso, se compara a um animal.
Sob esse viés, cabe ao Estado criminalizar o preconceito linguístico através de leis específicas, a fim de que as pessoas entendam a importância da lingua e suas ramificações, contribuindo para erradicar esse tipo de discriminação. Junto a isso, a mídia deve propagar o respeito às variedades linguísticas do Brasil como um valor cultural e regional, por meio do cinema, televisão e redes sociais, para que todos se expressem sem constrangimento e medo de virar chacota. Indubitavelmente, se a sociedade se unir e tais providências forem tomadas, essa problemática será, ao menos, amenizada.